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O papel do enfermeiro e os riscos de exposição no Centro de Material

Artigo por Elyziane Mendes Nunes - quarta-feira, 30 de novembro de 2011

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Qualidade de vida dos profissionais de enfermagem
Qualidade de vida dos profissionais de enfermagem
Introdução

Os objetivos e finalidades do Centro de Material e Esterilização (CME) são nitidamente definidos, contextualizando-se em uma unidade responsável por concentrar artigos médico-hospitalares, esterilizados ou não, tornando mais fácil o controle, conservação e manutenção dos materiais; manter padronização de técnicas de recepção, limpeza, preparo, empacotamento e esterilização, assegurando economia de mão-de-obra, material e tempo; distribuir material esterilizado para os diversos setores de atendimento a pacientes no âmbito hospitalar 18,30,42.

O local destinado à limpeza denomina-se expurgo que se caracteriza em uma área contaminada do CME, onde recebe materiais infectados para desinfetá-los e separá-los30. Os profissionais do CME estão sujeitos a exposições ocupacionais, como o contato com material biológico, potencialmente infectado, que pode ocorrer por meio de perfurações da pele com agulhas, objetos cortantes ou por respingos nas mucosas, sendo de vital importância o auxílio de barreiras de proteção individual e coletiva como o uso constante de Equipamento de Proteção Individual (EPI) que reduz efetivamente os riscos 5,37.

Os EPI são instrumentos de uso individual que formam uma barreira protetora para os trabalhadores, pois servem para prevenir o contato direto ou indireto com materiais infectados que entram em contato com a pele ou com mucosas, minimizando e/ou prevenindo os acidentes 17,28.

O enfermeiro tem a possibilidade de atuar em diferentes dimensões do CME como planejar, gerenciar, cuidar e educar, precisando desenvolver habilidades profissionais para atender a demanda de trabalho que há na unidade 8,12. Mediante a isso, surge o interesse de verificar o papel do enfermeiro no CME e os riscos a que os trabalhadores do setor estão expostos. Métodos Este estudo é do tipo bibliográfico de abordagem qualitativa.

O estudo bibliográfico é desenvolvido a partir do material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos e a pesquisa qualitativa trata da intuição, da subjetividade, pois se aprofunda no estudo das relações e ações humanas 9,38. Segundo Steinhofel e et al 36 uma das maiores vantagens da pesquisa bibliográfica está no fato de que o investigador se torna capaz de relatar conhecimentos maiores que aqueles que ele poderia relatar na pesquisa direta.

A coleta de dados ocorreu nos meses de setembro de 2009 a fevereiro de 2010 e foi realizada através de pesquisas na revista eletrônica BVS (Biblioteca Virtual em Saúde) nas bases de dados da Scielo (Scientific Eletronic Library Online), Lilacs (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde), revista Gaúcha de Enfermagem e Ciência do Cuidado e Saúde. Foi encontrado um total de 109 publicações, utilizando os descritores, CME, centro de material e esterilização e EPI.

Entre os artigos existentes referentes ao assunto foram selecionados os publicados nos anos de 2000 a 2010, pois os mesmos apresentam pesquisas atualizadas e recentes, sendo selecionados 43 artigos e excluídos os que não referenciavam especificamente à temática, aqueles anteriores ao ano de 2000, os que não apresentavam artigos na íntegra e os de língua estrangeira.

Após a coleta de dados foram analisados os artigos com resultados comuns e os mesmos separados em temáticas.

Resultados

O teor da questão investigada


O papel do enfermeiro e riscos de exposição no centro de material e esterilização se estrutura nas seguintes categorias: Qualidade de vida dos profissionais de enfermagem; Ocorrência de acidentes ocupacionais e uso de EPI; A atuação do enfermeiro no CME e Educação continuada no CME.

Qualidade de vida dos profissionais de enfermagem

O conceito de qualidade de vida é muito complexo, em geral sua avaliação é feita com base no conhecimento que o indivíduo tem em relação ao que mais prejudica sua saúde e desempenho profissional no ambiente em que trabalha 19,22. Os profissionais de enfermagem que atuam no CME não são valorizados como os que trabalham diretamente com o paciente, o que pode provocar determinada revolta, e muitas vezes o pedido de demissão torna-se inerente 32.

Como resposta a sobrecarga de trabalho e do sofrimento psíquico os profissionais podem apresentar doenças como hipertensão arterial, diabetes mellitus, distúrbios ortopédicos, neurológicos, gástricos, psicológicos 10,24. A freqüência de dores na coluna não é uma novidade, pois as atividades desenvolvidas no CME envolvem a manipulação abusiva de peso e posturas inadequadas13.

Com o ritmo acelerado no CME e o intenso esforço físico que os profissionais estão expostos aparecem as dores ressaltando ainda mais a discussão sobre o corpo como lugar principal de depósito de doenças provocadas pela condição de trabalho 11,19. Outros problemas que ocorrem nos trabalhadores do CME são a monotonia e a repetitividade 27. Um aspecto importante na qualidade de vida é a falta de tempo para lazer e recreação 14.

Os termos qualidade de vida e saúde estão ligados diretamente, pois a qualidade de vida fica comprometida em caso de doença, dor, mal estar físico e psíquico 14,19,22. Acidentes ocupacionais e o uso de EPI A maior parte dos acidentes ocupacionais ocorre com os profissionais do expurgo, dentre os que mais acometem os trabalhadores de enfermagem encontram-se os artigos perfurocortantes, seguido por respingos em mucosas, tais acidentes tem notável crescimento devido o manuseio incorreto do material contaminado 41. A limpeza dos artigos contaminados é realizada manualmente o que prevalece a ocorrência de acidentes ocupacionais e mesmo quando essa limpeza é feita por máquinas, continua a recomendação para a utilização de EPI, minimizando assim os riscos 1,33,36.

Os EPI recomendados no expurgo são luvas grossas de cano longo, avental impermeável, gorro, máscara óculos e bota de cano longo 33. Constata-se que ocorrem mais acidentes de trabalho com profissionais que tem maior destreza e experiência do que com os profissionais recém-formados, pois eles não cumprem as medidas necessárias de precaução 23. As doenças com mais incidência nos profissionais são aquelas cujo seu patógeno continua ativo no sangue circulante como a Hepatite B, Hepatite C e a AIDS 29.

Algumas barreiras que impedem a adesão do uso de EPI pelos profissionais são a falta do equipamento, o tamanho inadequado e a pressa. Alguns artigos indicaram que no momento do acidente a maioria dos profissionais não estava em uso de EPI o que acarretou na diminuição da segurança dos trabalhadores 26,34. Conhecer e apropriar-se da realidade do CME quanto ao uso de equipamentos de proteção poderá contribuir para melhoria das condições de trabalho prevenindo e minimizando os fatores de riscos existentes, tornando inerente a qualidade do reprocessamento de artigos e assim reduzindo a ocorrência das doenças e dos acidentes ocupacionais 40.

Atuação do enfermeiro no CME As ações de enfermagem que hoje dizem respeito exclusivamente ao CME eram, costumeiramente, associadas às ações do centro cirúrgico, mas com o desenvolvimento cognitivo a respeito das infecções hospitalares e à grande demanda de materiais a serem processados, o CME conquista sua independência a fim de atender prontamente a necessidade de quaisquer unidades do hospital 20,25. "A enfermagem por ser, tradicionalmente, a categoria profissional responsável pela organização do ambiente e gerenciamento das unidades, assumiu as atividades desenvolvidas no CME 16."

O processo de trabalho do enfermeiro no CME é relativamente complexo e bastante sistematizado, faz parte do trabalho da saúde e é composto por um conjunto de elementos que envolvem pessoas e dimensões práticas (o cuidar, o educar e o gerenciar) que caracterizam o saber fazer da profissão. Devido à diversidade de atividades setoriais, pode ser subdividido em fases distintas de produção: planejamento, coordenação, orientação e supervisão das etapas do reprocessamento de artigos médico-hospitalares, bem como a interlocução entre as unidades consumidoras 3,21,39.

Segundo Silva e Aguiar 31 a função do enfermeiro tem início na fase de planejamento da unidade, porque é o momento da escolha adequada tanto de recursos materiais quanto humanos, assim como a seleção e o treinamento de pessoal incluindo a capacitação por meio da educação continuada das equipes sob sua responsabilidade. O planejamento promove a sistematização de futuras ações e colabora com o gerenciamento do setor de trabalho como um saber administrativo38.

Os artigos que envolvem a temática da atuação do enfermeiro no CME abstraíram que a gerência é a principal atividade realizada pelo profissional enfermeiro no Centro de Material, abrangendo todas as fases do processo de trabalho da enfermagem de forma cíclica. Acrescentando ainda, a elaboração de instrumentos administrativos e operacionais e administração de recursos materiais e de pessoal 3. Deve-se ressaltar que o trabalho do Centro de Material relaciona-se íntima e integralmente com o cuidado ao paciente de maneira indireta, mediante ao fato de que a finalidade do trabalho em saúde é o cuidado 31.

"Evidencia-se, ainda, que os procedimentos de enfermagem na assistência direta, que são considerados visíveis, dependem do invisível, mas que é essencial: o trabalho do enfermeiro em CME 31." Educação continuada no CME A educação continuada é um processo educacional aplicado de maneira sistemática e organizada, por meio do qual proporciona o crescimento e o aperfeiçoamento dos profissionais, assim como o desenvolvimento de suas atitudes e habilidades através de atividades e organização em função dos objetivos institucionais6,42. A ausência da educação continuada no trabalho tem sido uma das principais dificuldades vivenciada por técnicos e auxiliares de enfermagem para a realização de suas atividades 6.

O treinamento e avaliação devem ser contínuos no conhecimento e no desenvolvimento das atividades. Pois os profissionais devem ser treinados corretamente para as atividades que assumem, embora não estejam executando uma assistência direta ao usuário. 4,35. Recomenda-se a qualificação dos profissionais de saúde através de treinamento e educação, competência e conhecimento específicos, pois a capacitação educacional pode ser rápida e contínua, proporcionando habilidade dos profissionais 2,7.

CreativeCommons

Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.

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colunista

Elyziane Mendes Nunes

Enfermeira, graduada pela Universidade Paulista - UNIP/GO como bolsista do Programa Universidade para Todos - Prouni. Pós-graduanda em Saúde Coletiva pelo Portal Educação em parceria com a Universidade Católica Dom Bosco - UCDB.