Convívio entre os pais no ambiente escolar
Criar laços com os familiares dos coleguinhas do seu filho traz vantangens para a criançada e também para os adultos
6 de fevereiro de 2012
Convívio entre os pais no ambiente escolar
Quando os pequenos entram na escola e começam a fazer amizades, os adultos ganham a oportunidade de estabelecer novas relações. "Os pais estão cada vez mais conscientes da importância da interação com as outras famílias", avalia a psicopedagoga Sílvia Amaral de Mello Pinto, da Elipse Clínica Multidisciplinar, em São Paulo. Segundo ela, observar os adultos convivendo de forma amistosa incentiva as crianças a perder a timidez e a socializar, de maneira saudável, com os coleguinhas.
A amizade entre os pais facilita a adaptação das crianças à rotina escolar que, no início, pode ser assustadora . “Cria-se uma atmosfera segura e confortável, que favorece a aprendizagem", explica Sílvia. E todo mundo sai ganhando. "Atendo muitos casais que construíram seu círculo de amizades por meio dos pais dos amigos dos filhos”, conta a psicopedagoga e terapeuta familiar Quézia Bombonatto, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp). “Conversar com outros pais ampara, permite que você troque experiências e aprenda com eles", completa.
Muitos desses relacionamentos começam na porta da escola, na hora de deixar ou buscar as crianças. Mas, a correria do dia a dia pode dificultar a comunicação nesses momentos. "É tudo tão rápido. A gente chega, deixa a criança e já vai embora, não dá tempo de conversar muito", diz a administradora Lúcia Zani Garcia, 38, mãe de Giovanna, de 4 anos. Ela conta que, nesse primeiro ano da filha na escola, tem aproveitado as reuniões de pais para se entrosar com as outras famílias.
"É extremamente importante que os pais frequentem as reuniões e os eventos que a escola promove. É ali que acontece o primeiro contato", diz Liamara Montagner, coordenadora pedagógica de educação infantil do Colégio Santo Américo, em São Paulo. Esses encontros permitem não só se informar sobre o desempenho dos filhos como identificar quais são os colegas mais próximos deles, apresentar-se para os outros pais, trocar telefones e começar a planejar visitas e passeios com as crianças.
"Nos primeiros anos, é necessário que os pais sejam mediadores, criando oportunidades para a garotada interagir fora do ambiente escolar", aconselha Sílvia Amaral. Os pequenos, dificilmente, vão agendar programas por conta própria, então cabe aos pais promover essa interação. É possível preparar, em sua própria casa, eventos temáticos que divirtam as crianças e incluam os adultos na brincadeira – para as meninas, por exemplo, chás de boneca são sucesso garantido.
Já em festas de aniversário, o ideal é que os pais sejam convidados a comparecer com os filhos, e que se disponibilize uma sala separada para os adultos conversarem. “Assim, enquanto os pequenos brincam, eles aproveitam para trocar ideias e se conhecerem melhor", recomenda Quézia Bombonatto.
São essas situações que permitem que as famílias conheçam os valores e comportamentos umas das outras – algo essencial se o seu filho vai passar algum tempo nas casas dos coleguinhas. É importante, no entanto, saber respeitar as diferenças e tomar o cuidado para não se intrometer demais nas questões das outras famílias. “Se não concordar com o estilo de criação, por exemplo, deixe claro que não gostaria que seu filho fosse tratado de determinada maneira, mas respeite”, ensina Quézia.
“Da mesma forma, é preciso definir limites para evitar que a intimidade da sua família seja invadida”, aponta a psicoterapeuta. E nada de falar mal dos pais dos colegas do seu filho na frente dele. Tome o cuidado de não envolver as crianças na história. “Elas aprendem tanto com exemplos quanto com palavras. Da mesma forma que observar os pais criando laços de amizade é benéfico, vê-los brigando prejudica a forma como elas mesmas encaram suas relações”, finaliza.
Fonte: bebe.abril.com.br