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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013 - 13:55

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Cuidados de enfermagem ao paciente traqueostomizado

por: Colunista Portal - Educação

O doente com traqueostomia depende muito da equipe de enfermagem. Após ter sido efetuada uma traqueostomia ele pode ficar apreensivo em virtude à sua incapacidade de comunicar com os outros e com o medo de asfixiar.

No pós-operatório imediato será necessária grande vigilância do doente, para despiste de complicações que possam surgir, das quais já falamos anteriormente.

Monitorização contínua

O estoma recentemente feito deve ser mantido, por intermédio da aspiração de secreções adequada. Esta deve ser efetuada de cinco em cinco minutos durante as primeiras horas do pós-operatório. A necessidade de aspiração poderá ser determinada pelo som do ar que vem da cânula especialmente se o doente respirar fundo.

Quando a respiração é ruidosa, o pulso e a frequência respiratória aumentam, o doente necessita de aspiração. Os doentes que estão conscientes podem geralmente indicar quando necessitam de aspiração. Um doente que consiga expulsar as secreções pela tosse não necessita de ser aspirado tão frequentemente.

Se os sinais vitais se encontram estáveis, o doente deve ser colocado em semifowler para facilitar a ventilação, promover a drenagem, minimizar o edema e evitar a tensão sobre as linhas de sutura.

Os analgésicos e sedativos deverão ser administrados cuidadosamente de modo a não deprimir o centro respiratório assim como o reflexo da tosse.
A traqueostomia constitui uma porta aberta à entrada de micro-organismos patogênicos para vias respiratórias inferiores, aumentando o risco de infecção. É essencial que sejam rigorosamente implementadas as seguintes intervenções preventivas de enfermagem.

1- Reduzir ao mínimo o risco de infecção

Qualquer tubo inserido no interior da traqueia provoca irritação da mucosa e em consequência há maior produção de muco.


Procedimentos
- Observar o doente regularmente quanto ao excesso de secreções e fazer aspiração segundo norma do serviço e com a frequência necessária.

- Substituir traqueias, peça em T ou máscara de O2 sempre que estas caiam ao chão e protegê-las quando não estão sendo utilizadas pelo doente.

- Remover a água que condensa na traqueia e não a introduzir novamente no nebulizador.

- Despejar a água destilada restante do nebulizador de cada vez que este é cheio de novo, ou pelo menos a intervalos de 24 horas.

- Fazer penso do estoma conforme norma do serviço.


Fundamentos
- Remove as secreções da árvore respiratória e melhora a oxigenação.

- Diminui a probabilidade de contaminação e previne a proliferação de micro-organismos.


2- Assegurar adequada ventilação e oxigenação

Prodecimentos

- Vigilância das saturações de o2.
- Vigiar frequências respiratórias e expansão torácica que deverá ser simétrica.
- Posicionar o doente de duas em duas horas ou de três em três horas se doente inconsciente.
- Proporcionar segurança e conforto.
- O cuff deve ser insuflado caso seja necessário ambuzar o doente.

Fundamentos
- Assegurar que o doente está a ventilar bem.
- Obter máxima ventilação e perfusão pulmonar, prevenindo também as úlceras de pressão.

Para que não haja fuga de ar entre o estoma e a cânula.

3- Proporcionar frequentes cuidados à boca
As secreções têm tendência a acumular-se na boca e na faringe.

Procedimentos
- Fazer cuidadosa aspiração da orofaringe quando necessário.

- Inspecionar os lábios, a língua e a cavidade oral regularmente.

- Limpar a cavidade oral
- Aplicar vaselina ou qualquer outro lubrificante nos lábios

Fundamentos
Melhorar o conforto do doente, removendo as secreções que se tenham acumulado num acesso de tosse.

- Proporcionar higiene oral ao doente e hidratação oral e lábios.

4- Minimizar as dificuldades resultantes da privação da fala.
Procedimentos
- Estabelecer um método de comunicação aceitável.

- Organizar as perguntas, de modo que o doente possa responder com um simples «sim» ou «não», acenar de cabeça ou por movimentos das mãos.

- Se o doente sabe escrever, incentivá-lo a escrever num papel para se comunicar.

- Conversar com o doente e explicar-lhe todas as atividades

- Encorajar a família e os amigos a falarem com o doente.

- Ter sempre a campainha ao alcance do doente.

- Orientar com frequência o doente.

- Repetir com insistência que a capacidade de falar regressará quando a cânula for retirada.

Fundamentos
- Estabelecer uma boa comunicação com o doente, de maneira que ele fique menos apreensivo em relação ao seu estado, de forma que possamos entendê-lo melhor.

- Ajudar o doente a orientar-se no espaço e no tempo.

Prescrições gerais de enfermagem para o paciente com patologias associadas ao sistema respiratório:
• Manter uma via aérea permeável;
• Promover o conforto;
• Promover o conhecimento do paciente;
• Promover a comunicação;
• Encorajar a ingesta de líquidos;
• Ensinar o autocuidado ao paciente;
• Monitorar e tratar potenciais complicações;
• Promover a nutrição adequada.

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