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Vacina Oral Vontra Poliomielite (VOP)

Artigo por Colunista Portal - Educação - quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

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A vacinação de rotina
A vacinação de rotina
As vacinas da poliomielite são de dois tipos:
- Vacina com vírus inativados;
- Vacina com vírus vivos atenuados.
A vacina produzida com vírus inativados contém três tipos de poliovírus:
- Tipo 1 (Mahoney);
- Tipo 2 (MEF-1);
- Tipo 3 (Saukett).

Os poliovírus dessa vacina são cultivados em células de rim de macaco verde africano, denominadas células Vero e a seguir concentrados, purificados e inativados com formaldeído. Possuem traços de neomicina, estreptomicina e polimixina B e sua conservação deve ser em geladeira entre +2 e +8ºC.

A vacina inativada induz a produção de anticorpos da classe IgG de maneira satisfatória, mas quase não dá origem à formação de IgA secretora, ao contrário da vacina oral. Nesse caso não há propagação do vírus vacinal na comunidade, não ocorrendo casos de pólio paralítica por reversão do vírus vacinal selvagem. Encontra-se atualmente disponível comercialmente em preparados associados à vacina tríplice bacteriana (DPT), o que possibilita sua aplicação sem ônus operacional.

Essa vacina também é denominada tipo Salk em homenagem a Jonas Salk, seu desenvolvedor. A vacina produzida com vírus vivos atenuados é chamada de Sabin, em homenagem a Albert Sabin, cientista que desenvolveu este tipo. É a vacina utilizada no Brasil, produzida a partir de três cepas de vírus denominados 1, 2 e 3. É constituída de 106 unidades de vírus do tipo 1, 105 do tipo 2 e 600.000 do tipo 3, por dose.

A vacina não deve ser administrada em crianças com vômitos, diarreia ou processos febris de origem indeterminada. Pode ser aplicada a qualquer hora do dia, sem relação com alimentação. Em raríssimas circunstâncias a administração desta vacina tem sido associada à ocorrência de paralisia em vacinados sadios ou em seus contatos.

A poliomielite aguda associada à vacina oral é doença aguda febril, que causa um déficit motor flácido de intensidade variável, geralmente assimétrico. O tempo decorrente entre a aplicação e o evento é de 4 a 40 dias para o vacinado e de 4 a 85 dias para o comunicante de vacinado. As cepas virais mais implicadas neste fenômeno são as do tipo 2, responsável pela paralisia nos comunicantes e a do tipo 3, responsável pela paralisia nos vacinados. O risco é de menos de um caso para um milhão de vacinados.

A conduta médica nestes casos é o tratamento de suporte, continuar o esquema vacinal com a vacina inativada e notificar a autoridade sanitária. Os exames subsidiários sugeridos são a coleta de duas amostras de fezes nos primeiros 15 dias, com um intervalo de 24 horas entre as coletas. Além disso, realizar a eletroneuromiografia para avaliar-se a extensão das lesões.
Em 1994 o Brasil recebeu o Certificado Internacional de Erradicação da Transmissão Autóctone do Poliovírus Selvagem, cujo último caso foi registrado em 1989.

A Vacina Oral contra a Poliomielite é a vacina de escolha no Brasil, com base em considerações sobre riscos e benefícios, que são citados a seguir:
- Induz imunidade intestinal;
- Administração fácil e simples;
- Os pacientes aceitam bem;
- Resulta em imunização dos contatos das pessoas vacinadas;
- Viabilizou a eliminação da doença causada pelos poliovírus selvagens nas Américas.

A paralisia associada à vacina oral contra poliomielite é rara, 1/ 2,4 milhões de doses distribuídas, nos Estados Unidos. A taxa após a primeira dose é de 1/760.000 doses, incluindo recipientes e comunicantes. A intensificação da vacina de rotina no Brasil resultou na manutenção de altas coberturas vacinais. A realização de campanhas de vacinação atingindo grande parte da população, a criação do Dia Nacional de Vacinação, para todas as crianças abaixo de 5 anos de idade, que ocorrem duas vezes ao ano é uma medida fundamental para a erradicação da poliomielite no Brasil.

Composição e Apresentação
A vacina oral contra a poliomielite é indicada para a prevenção dos casos de poliomielite e é produzida a partir de vírus atenuados em cultura de células derivadas, especialmente de tecido renal de macacos da espécie Cercophecos aethiops. Contém os três tipos de poliovírus atenuados (tipos 1, 2 e 3), conservantes a base de antibióticos e termoestabilizadores, como por exemplo, cloreto de magnésio e aminoácidos ou sacarose.

Sua apresentação é em forma líquida, habitualmente em um conjunto de frasco, aplicador com tampa rosqueável, moldados em plástico maleável e resistente, contendo 20 ou 25 doses.

Idade de Aplicação
A vacinação de rotina é recomendada a partir dos dois meses de idade. Situações epidemiológicas especiais podem indicar a vacinação a partir do nascimento da criança. Em campanhas maciças, a vacina é administrada nas crianças com menos de cinco anos de idade, independente do estado vacinal prévio.

Via de Administração
A vacina contra poliomielite deve ser administrada por via oral. Cada dose corresponde a duas gotas, que equivalem a 0,1ml, ou de acordo com as especificações do fabricante.

Esquema de Aplicação
Esquema de vacinação de rotina é composto por três doses a partir dos dois meses de idade, obedecendo a um intervalo de 60 dias entre as vacinações. Uma quarta dose deve ser aplicada aos 15 meses de idade. O intervalo mínimo entre as doses é de 45 dias.

Contraindicações
Não existem contraindicações para aplicação de vacina contra poliomielite, mas existem casos que a criança deverá ser encaminhada aos Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais para receberem a vacina inativada do tipo Salk (VIP). Os casos especiais são:

- Crianças imunodeprimidas com deficiência imunológica congênita ou adquirida não vacinadas ou que receberam esquema incompleto de vacinação contra poliomielite;

- Crianças em contato domiciliar com pessoa imunodeficiente suscetível e que necessitem receber vacina contra poliomielite;

- Pessoas submetidas a transplante de medula óssea.

- As crianças com AIDS devem receber a VIP, quando não disponível esta vacina, deve-se utilizar a VOP. As crianças assintomáticas com infecção pelo HIV podem receber a VOP.

Conservação e Validade
Quando a vacina for mantida à temperatura igual ou inferior a -20oC manterá a sua potência por 24 meses. Após o descongelamento, conservada sob refrigeração à temperatura de 2o C a 8o C, a validade será mantida por um período de três meses, observando o prazo de validade estabelecido para cada lote da vacina.

A validade da vacina encontra-se impressa na embalagem do fabricante e deve ser rigorosamente obedecida. Na utilização da vacina, os seguintes cuidados devem ser observados:

- Retornar a vacina ao refrigerador imediatamente após a vacinação;
- Se houver necessidade de utilizar a vacina em ambiente externo ao da Unidade de Saúde, manter a vacina refrigerada na caixa térmica específica ou em banho de gelo (gelo + água), ao abrigo da luz solar direta;
- Sobras de vacinas devem ser descartadas após cinco dias úteis da abertura dos frascos;
- Na vacinação extramuros, os frascos de vacina deverão ser utilizados num único dia, desprezando-se as sobras.

Eventos Adversos
O evento adverso que pode ocorrer após o uso da vacina Sabin (VOP) é a própria doença, a poliomielite. Diferentemente das demais vacinas, este evento pode acometer a criança vacinada ou seus comunicantes. Nos casos de poliomielite associado ao vacinado, a criança apresenta quadro agudo de febre, seguido de paralisia flácida aguda, que pode ocorrer de 4 a 40 dias após a aplicação da vacina, apresentando sequela, compatível com poliomielite, 60 dias após o início do quadro.

Nos casos de poliomielite associado ao comunicante do vacinado, a paralisia flácida aguda surge após o contato com criança que tenha sido vacinada até 40 dias antes. O comunicante apresenta quadro agudo de febre, seguido dos sinais de paralisia flácida, os quais podem surgir em 4 a 85 dias após a vacinação, apresentando sequelas, compatíveis com poliomielite, 60 dias após o início do quadro.

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