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EAD e Formação de Professores


1 de janeiro de 2008


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*Rose Aparecida Colognese Rech

 Seja presencial ou a distância, a formação de professores é uma questão bastante discutida e pesquisada atualmente, principalmente no que se refere à construção do conhecimento docente. Neste sentido, autores como Alves (1998), Marques (2003), Nóvoa (1992), Tardif (2002) vêm defendo a idéia de que a formação do professor se dá em múltiplas esferas e é constituída por vários saberes. Levar em consideração estes princípios, na concepção destes autores, implica reconhecer que não existe um momento estanque de formação, mas que ela vai sendo construída e reconstruída durante toda a trajetória profissional e também pessoal do professor.

 Nesta perspectiva, estamos diante da construção de um novo paradigma na formação de professores, que visa superar o modelo tradicional positivista de educação. Assim, Neder In Preti (2005) aponta a educação a distância como “uma possibilidade de (re)significação paradigmática no contexto do processo de formação de professores”, pois esta modalidade favorece a interação entre os sujeitos, propiciando o diálogo, a troca, a construção coletiva, na qual o professor assume um novo papel no processo de ensino-aprendizagem, não somente de transmissor de conhecimentos, mas assume juntamente com os alunos uma posição de parceria. Dessa forma, a autonomia do aluno é um dos ideais educativos, pois ele é estimulado, instigado a buscar, exigindo assim, um grande comprometimento com a construção do conhecimento.

Estas questões que a autora nos remete, acerca da construção de um novo paradigma, parecem estar diretamente ligadas ao modelo “Aprender a aprender, aprendendo”, sustentado por Paulo Freire. O autor considera que a verdadeira construção do conhecimento se dá através de uma troca, de uma relação dialógica, ou seja, acontece através das relações com os outros e com o mundo.

 A EAD, como vimos, pode contribuir para um processo mais flexível e autônomo, porém, Preti (2005) alerta para que isto não fique apenas nas práticas discursivas das instituições. O autor fala, ainda, do equívoco conceitual ao se utilizar o termo “autonomia” como sinônimo de autodidatismo, capacidade de a pessoa estudar por conta própria. Segundo ele, só esta característica não basta para garantir a autonomia.

”Em nosso entender, isso não é suficiente. Tem de ser levado em conta o contexto histórico-cultural em que ocorrem esses processos formativos, para se compreender as limitações e as possibilidades de práticas pedagógicas como colaboradoras no processo de construção da autonomia do aluno, em suas diferentes dimensões e não somente limitada à aprendizagem autônoma, ao estudo independente” (PRETI, 2005, p.129).

Para este autor, é possível organizar um sistema de apoio ao estudante e um ambiente pedagógico que favoreça sua caminhada coletiva e individual no curso, através de recursos humanos, de sistemas de avaliação e de acompanhamento, apoiados em abordagens interacionistas.

De acordo com Alonso (2005), os pressupostos das propostas dos sistemas presencias ou a distância são basicamente os mesmos, ambos podem apresentar caráter inatista, empirista ou interacionista, dependendo dos princípios estabelecidos no projeto educacional. Porém, o EAD apresenta alguns problemas que lhe são específicos, “[...] elementos como o acompanhamento sistemático dos alunos, a disponibilização de meios, o apoio institucional aos estudantes, dentre outros, incidem, fortemente, na permanência do público que se utiliza da EAD” (ALONSO In: PRETI, 2005, p. 164). Portanto, a educação a distância antes de preocupar-se com a quantidade (educação de massa), deve priorizar a qualidade do ensino em questão. Desta forma, trabalhar com um grupo muito grande de alunos pode comprometer e prejudicar o processo de ensino-aprendizagem, já que limita um acompanhamento mais personalizado, uma interação constante e dificulta o estabelecimento de vínculos entre o grupo.

 Nessa direção, é de suma importância que os cursos de formação de professores na modalidade EAD, assim como os presenciais, tenham bem definidos os seus objetivos e que estes estejam embasados em uma proposta sólida de educação. Temos que pensar a EAD agregada a um projeto educacional que, além de atender as peculiaridades que esta modalidade implica, venha refletir acerca dos processos de formação, considerando como os docentes tecem seus conhecimentos e constroem suas práticas educativas.

 

REFERÊNCIAS

 ALVES, Nilda. Trajetórias e Redes na Formação de Professores. Rio de Janeiro: DP&, 1998.

MARQUES, Mario Osório. A formação do profissional de educação. Ijuí: Unijuí, 2003.

NÓVOA, António. Os professores e a sua formação. Lisboa, Portugal: Publicações Dom Quixote, 1992.

PRETI, Oresti (Org.). Educação a Distância: Sobre discursos e práticas. Brasília: Líber Livro Editora, 2005.

TARDIF, Maurice. Saberes docentes e formação profissional. 4ª ed. Petrópolis: Vozes. 2002.

 

*Rose Aparecida Colognese Rech, pedagoga pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) - RS e pós-graduanda no Curso de Docência do Ensino Superior da Universidade Castelo Branco (UCB) - RJ.

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