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Educação a distância, design educacional e redes de significados


1 de janeiro de 2008


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*Maria Elizabeth Bianconini Almeida e MAria Elisabette Brisola Brito Prado

 A Educação a distância com suporte em ambientes virtuais pode se desenvolver com base em distintas abordagens educacionais, que variam desde a virtualização da prática de sala de aula até os processos altamente interativos, com base em princípios educacionais que privilegiam a (re)construção do conhecimento, a autoria, a produção de conhecimento em colaboração com os pares e a aprendizagem significativa do aluno. Cada uma dessas abordagens ou suas derivações requer uma maneira peculiar de conceber o planejamento, a organização das informações, as interações e a mediação pedagógica. No entanto, seja qual for a abordagem adotada a educação a distância não pode ser entendida pela transferência de uma abordagem pedagógica presencial para o virtual, mesmo quando ambas se apresentam pautadas pelos mesmos princípios educacionais.

A virtualização da educação induz a perder elementos específicos fundamentais da presencialidade, além de se correr o risco de não incorporar as características dos recursos do ambiente virtual por desconhecer as contribuições que esses ambientes podem trazer ao ensino e à aprendizagem. Dentre essas características merece destaque a interação multidirecional entre todos os participantes, os registros digitais, a organização das informações e sua recuperação instantânea com os mecanismos automáticos de busca.

 Por esta razão, não se pode conceber que a educação a distância e a educação presencial estejam competindo entre si. São modalidades distintas, com características próprias e muito ricas que podem ser vistas e tratadas de maneira complementar em diversos contextos de ensino e aprendizagem em que essas modalidades se entrelaçam e realimentam, permitindo expandir o espaço físico da sala de aula ao tempo que integram novas possibilidades de interação e registro que propiciam compartilhar concepções, valores e sentidos.

O contexto presencial da educação faz parte da nossa história e da nossa cultura de aprendizagem. Nesses contextos, as relações sociais se expressam na comunicação verbal e gestual, desencadeando a construção das referências pessoais entre colegas e professores. O foco do ensino habitualmente encontra-se centrado na ação do professor em dar aula e na atitude do aluno de ouvir atentamente o professor como foi preponderante durante muitos anos em todas as modalidades dos sistemas de ensino.

Atualmente, parcela considerável de professores desenvolve dinâmicas pedagógicas diversificadas na educação presencial, expressando formas de ensinar e de aprender dialógicas que permitem aos alunos assumirem posturas mais ativas e autônomas no processo de aprender. Entretanto, a própria estrutura da escola (tempo de aula, número de alunos, organização disciplinar), acaba restringindo o dinamismo das interações e a ampliação do escopo de compartilhamento e de debate entre os alunos e destes com o professor.

No contexto virtual, a aprendizagem potencializa uma rede de interações, negociação e produção compartilhada de significados que proporcionam condições favoráveis aos processos de assimilação e acomodação implícitos na construção/reconstrução de conhecimentos.  Mas, para que essa rede se estabeleça é necessário que se tenham intenções pedagógicas norteadoras de estratégias presentes desde a concepção, planejamento, implementação e avaliação do curso, envolvendo as interações do professor com os alunos e entre os alunos.

A complexidade da constituição de rede de aprendizagem no ambiente virtual caminha no sentido da criação conjunta de redes de significados, enquanto relações humanas em um contexto específico de convivência dialógica perpassado pela linguagem, cultura e sociedade da qual faz parte cada participante, bem como pela respectiva história individual e pela interpretação que cada um faz de si mesmo, do outro e do mundo.

Nessa rede dinâmica de convivência com conflitos, contradições e ambigüidades, todos os participantes têm a possibilidade de assumir conscientemente a postura de aprendente e ensinante um do outro, os quais reconhecem as mútuas influências e, sobretudo, a interdependência e a reciprocidade entre as pessoas, suas concepções, sentidos e valores. Para que este processo seja desencadeado é necessário que as malhas da rede comecem a ser tecidas por meio do desenvolvimento de estratégias de planejamento e de mediação, numa perspectiva que concebe o design educacional como um processo em contínuo movimento, aberto a articulação de novos nós conforme emergem novos significados da própria situação ou de outros contextos e redes em que as pessoas se encontram mergulhadas.

São considerados como ambientes virtuais as plataformas computacionais, formadas por diferentes ferramentas de comunicação, interação, inserção de documentos, gerenciamento de informações etc. Como exemplos temos diversas plataformas abertas e de livre uso tais como e-ProInfo, Teleduc, Moodle e outras plataformas proprietárias como o Blackboard, WebCT, LearningSpace.

 

Co-autora:
Maria Elisabette Brisola Brito Prado

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* Mestre em Educação pela UNICAMP e Doutora em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação: Currículo da PUCSP; Membro do grupo de pesquisa Formação de educadores com suporte em meio digital, do CNPq e pesquisadora colaboradora do Nied-UNICAMP.

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