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Do picadeiro ao Plenário - Tiririca é um Artista


3 de janeiro de 2012


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(Foto: Agência Brasil) Francisco Everardo Oliveira Silva (Tiririca)

Não estou aqui para marcar posição acerca do ingresso de Francisco Everardo Oliveira Silva na “fantástica fábrica de Política Nacional”, mas sim para pedir mais luz, mais foco no que considero estar sendo esquecido na maioria das análises desse fenômeno e isso provavelmente inclui o que você pensa a respeito do caso.
 
É preciso ser corajoso para aplacar o incômodo da estranheza, do diferente, do extraordinário, enfim, do “anormal”. Mas quando o ”esquisito” ganha crédito com a própria história, é inevitável o reconhecimento de valor, de relevância. Sendo assim, é bom lembrar sempre que Tiririca é um artista, desde os oito anos de idade, o que é incontestável. Servindo-me do que há de mais valioso para um ser humano: seu passado e sua história. Volto os olhos para o que pode representar, de verdade, fazendo arte em uma lona tosca em Itapipoca e anos depois traduzir-se na segunda maior votação da história de um país. Se pensarmos que o contingente eleitoral brasileiro é expressivo e tem significação mundial, aí sim, percebemos o tamanho da trajetória.

O artista Tiririca é um sucesso. Não esteve em reality shows, não fez nu artístico, não se casou com celebridade, não se envolveu em escândalos, não buscou fama de maneira transversal. Se hoje é um midiado personagem da vida real, é porque fez arte como “gente grande”. Conquistou sua fama trabalhando em um dos ofícios que pessoalmente tenho maior apreço: o de ser artista. Ah! Tem mais uma coisa: aqueles que dentre todas as formas de manifestação artística escolhem fazer rir, trazer graça com suas palhaçadas, ah! Desses eu gosto muito. Tiririca, na verdade, é um palhaço.

Vendeu bem o seu peixe e fez do povo seu fiel cúmplice. Contratado pela então gigante do mercado fonográfico, a multinacional Sony Music, vendeu milhões de CDs. Cruelmente rechaçada pelo “grand monde” musical, “Florentina” tomou o Brasil de ponta a ponta e foi uma das canções populares mais executadas do país. Nesta época, Tiririca garantiu recordes de audiência para todos os programas de TV e rádio por onde passou. Ele é um fenômeno de mídia, que agora traduz-se em um tipo de “Alien” no plenário federal. Ele é compositor e cantor.

Não estou aqui para tentar fazer você mudar de opinião, mas sim contribuir para uma reflexão mais abrangente do assunto.  Você já tinha pensado na credibilidade inabalável de um sucesso construído genuinamente a partir da relação do artista com seu público? Pois bem, talvez esteja aí a razão para parar de focar no ingresso de um artista na política e olhar sim, com olhos bem abertos, para o resultado do trabalho de todos os eleitos - e isso o inclui- observar de perto o que farão nos próximos quatro anos.

Se os protocolos tão defendidos pela classe política estão sendo respeitados, se os valores nacionais não estão sendo ameaçados, ou seja, se tudo está “nos conformes”, “como manda o figurino”, livremo-nos do preconceito e tratemos isso como assunto encerrado. E todas às vezes que o trabalho sério e digno dos deputados perder ibope para as vicissitudes eleitorais em nossas mentes, sugiro lembrar que Tiririca é um artista, um sucesso, um palhaço.

Afinal plenário e picadeiro podem ter alguma coisa em comum, ou não?

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Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.

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João Luiz Bernardo Pereira

Carioca, jornalista, formado em Comunicação Social pela PUC-RJ, 44 anos dos quais exatos 25 dedicados ao mercado da indústria cultural. Hoje atuo também como consultor em gestão e implantação de projetos com foco em comunicação institucional e geração de resultados efetivos.

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