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1 de janeiro de 2008
A mudança climática e o uso inadequado dos recursos naturais ameaçam um total de 4.118 espécies na América do Sul, alertou nesta quarta-feira o Programa da União Mundial para a Natureza na América do Sul (UICN-Sul).
Um relatório da organização, divulgado em Quito, ressalta que 40% das espécies na América do Sul, incluídas numa "lista vermelha" da UICN, se encontram ameaçadas. "É uma voz de alerta para os países que formam a região de maior biodiversidade do planeta", diz o texto.
Entre os peixes brasileiros, a viola (Rhinobatos horkelii) passou de espécie "em perigo" à categoria de "perigo crítico", devido a "capturas em exercícios anteriores e sua atual vulnerabilidade à pesca incidental, assim como à degradação de seu habitat".
De 10.930 espécies sul-americanas avaliadas, a UICN-Sul declarou 29 como extintas e seis como extintas em estado silvestre. Além disso, um de cada quatro anfíbios do continente se encontra em alto perigo, além de 15% dos mamíferos e 10% das aves.
O diretor regional da UICN para a América do Sul, Robert Hofstede, diz no relatório que a "lista vermelha" de espécies ameaçadas "nos põe em contato com a realidade da extinção das espécies provocada pelos seres humanos".
O panorama, comenta Hofstede, leva a UICN a "promover ações urgentes para evitar a perda de biodiversidade e a redução dos meios de vida das populações" sul-americanas.
O relatório incluiu na avaliação, pela primeira vez, algumas espécies de corais do arquipélago de Galápagos, três delas na "lista vermelha" e duas em "perigo crítico": o coral da Ilha Floreana e o da Ilha Wellington.
As populações das três espécies em perigo "têm declinado drasticamente desde 1982, devido à mudança climática e ao fenômeno El Niño", sustenta o relatório, divulgado também através da Internet.
O mogno e o cedro continuam catalogados como vulneráveis na América do Sul, devido à alta demanda comercial da madeira. Além disso, uma conífera nativa da Venezuela, o Podocarpus pendulifolius, localizada em 2006 na categoria de "dados insuficientes na lista vermelha", este ano aparece na categoria de "perigo".
O peixe de água doce Austrolebias cinereus, que só habita um pequeno rio temporário da bacia do rio Uruguai, entrou pela primeira vez na lista vermelha como espécie em "perigo crítico".
A organização pede "maiores esforços de pesquisa e avaliação" para espécies de água doce que, "em muitos casos, constituem o sustento das comunidades locais ribeirinhas".
A informação da "lista vermelha permitiu iniciativas em diversos países, promovidas por pesquisadores locais, como no Brasil, Uruguai e Bolívia.
Arturo Mora, dirigente da UICN-Sul, comentou que a informação deve estar "vinculada aos processos locais de desenvolvimento, conservação e uso sustentável da biodiversidade em cada região".
Um dos desafios da organização, diz o relatório, será a elaboração de "avaliações mundiais de mamíferos, espécies marinhas e répteis".
Fonte: Agência EFE
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