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O Começo da Citologia


1 de janeiro de 2008


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A maior parte dos conhecimentos biológicos sempre esteve ligada a uma série de métodos que se desenvolveram, principalmente, com a Física e a química. Devemos ter sempre em mente o paralelismo constante que existe entre as diferentes ciências, cada uma auxiliando o desenvolvimento das demais. Dentro da Biologia, um típico deste paralelismo é a Citologia, que não teria surgido sem o progresso da Física e da Química. Hoje, a imagem que se tem da célula é muito mais complexa e diversa daquela que se tinha há 20 ou 30 anos, quando os citologistas não podiam ter certos conhecimentos que podem adquirir hoje, pois naquela época não havia condições técnicas para tal.

A citologia de 20 anos atrás era muito mais morfológica que a atual, que com o desenvolvimento das técnicas e dos métodos de estudo oferece possibilidades cada vez maiores de traduzir os termos morfológicos da célula para termos fisiológicos, ou seja, correlacionar forma-função como um todo.


Para citar alguns exemplos das possibilidades advindas dos avanços técnicos propiciados pela física e pela química, vejamos alguns fatos importantes:

1- O microscópio foi inventado em 1590 pelos irmãos holandeses: Hans e Zacarias Jensen. Até então a citologia não existia, pois a maioria das células é microscópica.


2- Em 1665, Robert Rooke, que era físico e aperfeiçoara um microscópio, descobriu as células, quando observava um fragmento delgado de cortiça (tecido de proteção de plantas e acha-se constituído por células mortas, em cujas membranas se deposita uma grande quantidade de suberina).


3- Em 1870, His inventou o micrótomo, sendo então possível observar as células através de cortes muito finos. Para que o tecido seja cortado ao micrótomo, porém, é preciso que esteja fixado e incluído numa substância que lhe dê resistência; em 1860, Klebs já introduzira o método de inclusão em parafina. Evidentemente, foi preciso que se desenvolve-se métodos de coloração das células para que elas pudessem ser bem observadas, pois, como o princípio do microscópio óptico se baseia no fato de a luz atravessar a estrutura e um sistema de lentes, até a formação da imagem final e, como em geral as estruturas da célula têm índices de refração muito próximos, era preciso evidenciar as estruturas através de corantes.


4- Em 1922, de posse de instrumentos de micromanipulação, Chambers inicia os trabalhos de microdissecação.


5- Em 1932, Knoll e Ruska descreveram o primeiro microscópio eletrônico. Sua aplicação sistemática em Citologia só se deu em 1950, pois nessa época já haviam sido desenvolvidos métodos de fixação, coloração e inclusão, especiais para microscopia eletrônica, bem como já existia um ultramicrótomo para cortes ultrafinos da ordem de 50 a 80 Å. Sem esses cortes tão finos, não se pode usar a microscopia eletrônica, pois uma espessura grande (o micrótomo normalmente pra microscopia óptica faz os cortes mais delgados da ordem de 2 a 4 micra) impede a passagem dos feixes de elétrons, que são usados nesse caso, ao invés da luz.

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