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1 de janeiro de 2008
O crescimento econômico tem conseqüências que permitem dúvidas quanto à sua sustentabilidade no longo e, mesmo, no curto prazo devido a: deseconomias externas, ou seja, efeitos colaterais negativos do uso dos recursos ambientais que atingem a terceiros, incluindo as gerações futuras, como conseqüência da diminuição da diversidade biológica, degradação de ecossistemas, perdas de solo, incrementos da poluição hídrica e do solo, de cheias e estiagens, etc; comprometimento das atividades antrópicas correntes, com uma internalização parcial das deseconomias externas por seus próprios causadores, resultando em estacionamento, perdas de produtividade ou mesmo inviabilizando o desenvolvimento da atividade de uso dos recursos ambientais.
Para a conceituação do desenvolvimento sustentável e, portanto, para o tratamento dos acima citados, alguns economistas ambientais consideram os recursos ambientais, sobre o qual se pauta o desenvolvimento econômico e social, como um estoque global de capital, sendo esse formado pela soma do capital natural, representado pelos recursos naturais; capital humano, representado pela engenhosidade e conhecimento humano; capital tecnológico, representado pela infraestrutura criada pelo homem; capital moral (ético) e cultural.
O desenvolvimento poderia ser mantido indefinidamente, desde que o capital natural fosse mantido constante ou crescente.
A problemática da sustentabilidade envolve dois lados opostos, de um lado a crescente entropia material e energética, e de outro a capacidade dos organismos em manterem seu nível de entropia baixo. É onde começa a insustentabilidade, ou seja, frente a uma desordem material (degradação entrópica), os seres vivos não conseguem manter um nível de organização. O desenvolvimento capitalista industrial é um exemplo no que se refere à insustentabilidade do sistema. A Lei da entropia mostra um limite nos recursos disponíveis enquanto o capitalismo visa uma expansão infinita, aponta para uma questão de quantidade não se importando com a qualidade. Isso reflete diretamente na crise ecológica que estamos vivendo mostrando o quanto o capitalismo industrial é insustentável. Pode-se concluir que para ser sustentável é necessária uma busca dos equilíbrios qualitativos e do funcionamento do nosso sistema, mas o que implicaria numa reinverção do modelo capitalista, já que esse modelo promoveu a inversão dos meios econômicos em fins, ou seja, de produzir cada vez mais pregando um auto-consumismo.
A crise ecológica é apenas uma das facetas de uma crise mais geral da sociedade industrial, englobando a crise social, econômica, político-ideológico e moral, atingindo tanto países subdesenvolvidos como países desenvolvidos. Em nível político a crise se manifesta em uma descrença generalizada com o desequilíbrio sócio-econômico como: desemprego, marginalização, disputas violentas entre diferentes grupos étnicos e concentração de poder. Em nível cultural, estes desequilíbrios apontam para uma incerteza, um questionamento do modelo capitalista, pois já não há uma certeza de progresso. Em nível ecológico é que a crise se manifesta de maneira mais dramática.
A questão ecológica vem ocupando gradativamente o centro do cenário político e diplomático internacional, e isto pode vir a desviar a discussão de outros temas econômicos e políticos. Desta forma, uma questão é levantada: “Será que se não se discute todas as questão políticas e econômicas, será possível que se forme uma sociedade sustentável?”.
Caso a crise ecológica se agrave, não podemos esquecer o alerta lançado pela ecologia política nos anos 70, onde se acreditava em um ecofascismo, procurando garantir a estabilidade à beira do abismo. A única forma de se evitar um último recurso seria por uma inversão política total, que gerasse um novo equilíbrio, na qual tecnologia, a economia e a própria história passassem a estar sob controle social.
Existem duas vias que debatem a questão ecológica: uma em que o debate tecnocrático predomina, e outra onde predomina um debate não hierarquizado, onde há a preocupação com o respeito da diversidade cultural, com os interesses das minorias e a condenação do debate tecnocrático. No momento, o pêndulo político certamente pende para a solução tecnocrática, porém um dos efeitos mais visíveis da atual crise do sistema bate de frente com os fundamentos ideológicos e culturais.
Toda crise é um momento que abre imensas possibilidades. O capitalismo e a expansão constante do sistema industrial se legitimam como necessidade de satisfação das necessidades humanas pelo sistema econômico. Na teoria econômica esta idéia legitimadora se traduz na idéia de “consumidor soberano” que dirige a evolução do sistema produtivo ou ainda, em sua forma originária, a idéia da “mão invisível” de Smith.
O capitalismo se sustenta justamente pela busca constante de criar e suscitar novas necessidades, única forma pela qual o excedente gerado na produção pode realizar-se no mercado. A miséria representa um estado de privação que põe em xeque a própria sobrevivência física do indivíduo, a pobreza é necessariamente uma questão relativa, frente aos valores, socialmente aceito do que seja necessário.
A eliminação da pobreza e a busca de bem estar passam necessariamente pela questão da redefinição das necessidades (e dos símbolos de status no interior de uma sociedade) e da distribuição eqüitativa e não da produção. Confrontados com a aceleração da degradação antrópica, decorrente da sociedade de produção e do consumo em massa, certamente torna-se vital na busca de equilíbrios sustentáveis.
O capitalismo se fundamenta na busca de satisfação das necessidades sociais. É paradoxal uma vez que parte dos recursos (tanto material como social) são dirigidos para publicidade e marketing, suscitando novas necessidades e novas frustrações. Não se atentou para a questão da produção e reprodução das necessidades, assegurando assim a expansão indefinida e insustentável da estrutura produtiva. Goldsmith mostra como na sociedade industrial os ciclos naturais foram substituídos pelos industriais. Um exemplo é a agricultura, agroindústria, indústria de fertilizantes e defensivos que acabam destruindo os ciclos naturais.
Destroem as pragas e predadores naturais, sugerindo assim uma seleção de pragas resistentes, estimulando a produção de novos agrotóxicos, reduzindo ou exterminando os predadores naturais, sem acabar com as pragas. O homem ao consumir tal produção irá se contaminar, e os futuros problemas de saúde serão tratados pela indústria médica, expandindo-a.A indústria médica e farmacêutica também respondendo aos problemas causados no aumento da radiação ultravioleta, como câncer de pele, produzem e vendem mais protetores solares cada vez mais sofisticados.
A grande quantidade de riqueza está no funcionamento equilibrado da biosfera (ar puro, equilíbrio do clima, abundância de caça e pesca e proteção do solo contra erosão entre outros). O PIB indica o fluxo de bens e serviço produzidos pelo homem, mas não o total de riqueza disponível, essa distinção é importante uma vez que considerando o que caracteriza a produção humana são as externealidades negativas. É esta mercantilização crescente da sociedade moderna à custa dos equilíbrios naturais, das relações sociais e da autonomia individual que deve ser revista. Se quisermos pensar numa sociedade sustentável, que nossa preocupação não se limite a uma simples questão de sobrevivência física, e sim, uma busca constante de qualidade de vida.
Os instrumentos que estão à disposição do homem são ao mesmo tempo ameaçadores e representam uma possibilidade de liberação. Os rumos que serão tomados dependerão tanto da capacidade individual de cada um, como da coletividade como um todo.
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