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1 de janeiro de 2008
Surgem tantos animais novos porque técnicas de análise mais refinadas distinguem detalhes que antes passavam despercebidos. Animais podem parecer diferentes entre si e pertencer à mesma espécie. Um gato peludo cinzento e outro malhado de pêlo curto são igualmente gatos. Por outro lado, espécies à primeira vista iguais podem ter diferenças invisíveis a olho nu que fazem com que não possam procriar entre si, o que as separa do ponto de vista biológico. Segundo Leonora, a proliferação do número de espécies deriva sobretudo do impacto da análise de diferenças no DNA entre grupos de animais. Além disso, novas técnicas de medição, como a morfometria geométrica, começam a ser mais utilizadas e devem ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade.
Régua digital - Tradicionalmente, parte da distinção entre espécies se baseia em medidas tomadas do crânio. O instrumento mais utilizado é o paquímetro, uma régua com dois braços dos quais um desliza para medir distâncias em superfícies curvas ou irregulares. Mas técnicas modernas permitem análises muito mais refinadas e precisas. O grupo de Gabriel Marroig, da Universidade de São Paulo (USP), usa um aparelho parecido com uma caneta que pende de um braço articulado. O equipamento tem um ponto de repouso e traduz qualquer movimento em coordenadas tridimensionais. A caneta, encostando em pontos específicos de cada crânio estudado, transmite essa informação a um computador. Forma-se uma imagem digital que pode ser usada para tirar medidas ou comparar o crânio com o de outras espécies. Marroig usa essa técnica para compreender a evolução dos primatas sul-americanos.
Para atingir uma classificação mais precisa, os pesquisadores somam informações de diversos tipos. Durante seu doutorado Leonora analisou o DNA de marsupiais brasileiros para compreender suas origens e sua diversidade. Para refinar suas conclusões ela agora complementa os dados com observações da morfologia dos animais. Esses resultados ajudaram a aumentar em 70% o número de espécies de marsupiais sul-americanos nos últimos 13 anos.
Além das novas técnicas, o que tem contribuído para o avanço do conhecimento sobre mamíferos é a integração de áreas, promovida por profissionais dispostos a colaborar. Os sistematas, que analisam os dados para pôr ordem nas árvores genealógicas e dão nome aos novos bichos, muitas vezes não são os mesmos que fazem os estudos genéticos ou morfométricos. Por isso, pouco se faria sem esforços conjuntos.
Segundo Leonora, a preocupação com o meio ambiente se tornou mais forte após a Conferência do Rio em 1992 e aumentou o interesse em estudar a diversidade biológica. Iniciativas de conservação como a da União Mundial para a Conservação da Natureza (IUCN) consistem em reunir informações para elaborar listas globais de espécies ameaçadas, alteradas conforme as pesquisas avançam. Pode ser o caso do rato-do-mato-laranja (Rhagomys rufescens), que Yuri Leite e colaboradores mostraram não ser tão raro quanto se pensava. Para encontrá-lo, bastou inovar no método de captura: o que funciona é a antiga técnica chamada pitfall, que não passa de um balde enterrado no chão. “Com base nos dados mais recentes”, diz Leonora, “o Rhagomys deveria ser retirado da lista da fauna ameaçada de extinção”.
Fonte: FAPESP
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