(1)
(20)
1 de janeiro de 2008
Para localizar e capturar comida, os predadores desenvolveram sentidos proporcionais aos seus hábitats, às suas táticas de alimentação e às habilidades de suas presas em evitar a detecção. Nós próprios usamos a visão para localizar comida, particularmente como ela ´agora apresentada nas prateleiras dos supermercados, ainda que nossa visão insignificante em comparação com as dos gaviões e falcões, e a de muitos insetos que percebem a luz ultra-violeta, a qual pé invisível para nós. Os insetos podem também detectar movimentos rápidos, tais como os de uma asa batendo 300 vezes por segundo, nós vemos tal movimento apenas como um borrão.
Entre os órgãos mais incomuns de predadores estão as fossetas loreais das víboras (o termo víbora é aplicado as cobras venenosas, com exceção da coral, as fossetas loreais são também chamadas de fossetas lacrimais, por se situarem abaixo e à frente dos olhos), um grupo que inclui as caçáveis. As fossetas loreais, localizadas em cada lado da cabeça, abaixo e na frente dos olhos, detectam a radiação infravermelha (calor) liberada pelos corpos quentes de presas potenciais - um tipo de visão no escuro. As víboras são tão sensíveis à radiação infravermelha que elas podem detectar um pequeno roedor alguns metros à frente em menos de 1 segundo. Além disso, devido às fossetas serem direcionalmente sensíveis, as víboras podem localizar objetos quentes com precisão bastante para golpeá-los. Os sistemas de sonar dos morcegos (ordem Chiroptera) insetívoros e carnívoros, semelhantemente, capacitam esses predadores a localizar as presas voando no escuro. Os morcegos produzem pulsos de ruídos muito altos, de alta freqüência - geralmente além de nossa capacidade auditiva - e sentem os ecos que retornam do corpo da presa. As corujas (família Tytonidae e Strigidae) não emitem ondas de sonar, mas possuem uma audição tão sensível e direcionalmente informativa que podem localizar ratos e outras presas pelos sons que fazem ao se moverem através do hábitat.
Uns poucos animais aquáticos desenvolveram a habilidade sensorial de detectar campos elétricos. Algumas espécies de peixes elétricos liberam eletricidade continuamente a partir de órgãos musculares especializados, criando um fraco campo elétrico em torno de si. Objetos próximos distorcem o campo, e essas distorções são percebidas por receptores na superfície do peixe elétrico. Algumas espécies usam sinais elétricos para a comunicação entre indivíduos. A raia torpedo, através de estruturas especializadas, usa correntes elétricas poderosas (até 50 volts de tensão e corrente de vários ampéres) para de defender e para matar presas. Como se poderia esperar, a produção e percepção d campos elétricos é mais altamente desenvolvida em peixes que habitam águas escuras. Em outros habitats onde a visibilidade é pobre, espécies que moram no fundo, como o peixe-gato, usam barbatanas e filamentos em torno da boca como sensores de toque e receptores de paladar.
Em contraste com os magníficos sentidos de muitos predadores, outros percebem seu ambiente apenas timidamente e contam com a sorte para deparar com uma presa (para esta tática funcionar, suas presas devem ser igualmente distraídas). Mas mesmo esses predadores "cegos" adotam padrões de procura que aumentam suas chances de encontrar uma presa. Por exemplo, a larva predadora do besouro joaninha (família Coccinellidae) alimenta-se de ácaros (ordem Acarina) e pulgões (ordem Homoptera) que infestam as folhas de certas plantas, e elas devem entrar fisicamente em contato com suas presas para reconhece-las. Seus movimentos nas folhas não são orientados em direção às suas presas, mas também não são aleatórios. As veios e bordas constituem uma pequena porcentagem da superfície da folha, e contudo as larvas gastam a maior parte de seu tempo procurando nessas áreas - onde a maioria dos pulgões fica distribuída.
Comentários
(1)
(20)