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1 de janeiro de 2008
Quando pensamos em predador e presa, normalmente pensamos no lince e no coelho, ou pássaro e no besouro - predadores que perseguem, capturam e comem presas individuais. Embora menores do que os predadores, tais presas normalmente parecem grandes o bastante para valer a pena perseguir. Mas muitos organismos consomem presas diminutas em enormes quantidades, e eles são também predadores. A baleia azul pesa muitas toneladas, mas se alimenta de pequenos camarões do tipo krill, pequenos peixinhos e coisas do gênero. Numa escala menor, mariscos e mexilhões bombeiam água através de dispositivos filtradores que capturam minúsculos plânctons, e muitos protozoários, esponjas e bactérias de filtros rotadores e outros microorganismos da água.
À medida que o tamanho da presa aumenta em relação ao do predadores, a presa torna-se mais difícil de ser capturada, e os predadores tornam-se mais especializados em perseguir e subjugar suas presas. Acima de certo valor, contudo, os predadores carecem de força e velocidade suficientes para capturar presas em potencial. Os leões atacarão animais de seu tamanho ou mesmo um pouco maiores, mas eles não são páreos para elefantes adultos. Com suas poderosas garras e mandíbulas, os leões podem subjugar presas bem maiores do que eles próprios, mas como não conseguem manter altas velocidades por grandes distâncias, a caça bem sucedida se baseia no segredo e na surpresa. Umas poucas espécies, tais como os lobos, as hienas e as formigas ceifadeiras caçam em equipes e, deste modo, podem perseguir e subjugar presas substancialmente maiores do que elas.
No outro extremo do espectro de tamanhos relativos encontramos os parasitos - as miríades de vírus, bactérias, protozoários, vermes e outros que invadem o corpo do hospedeiro e se alimentam de seus tecidos ou sangue ou da comida parcialmente digerida nos seus intestinos. O parasitismo difere da predação e da filtração porque a sobrevivência de seu hospedeiro do que de sua morte.
Dependendo de que parte da planta eles comam, os herbívoros podem agir como parasitos ou como predadores. Os parasitos vivem da produtividade de um organismo hospedeiro sem matá-lo, assim, um gamo, pastando em árvores e arbustos, funciona como um parasito. Já um carneiro, que consome uma planta inteira, arrancando-a pelas raízes e macerando-a em fragmentos sem vida, comporta-se como um predador. A larva do besouro que se desenvolve dentro de uma semente, e por meio disso destrói o organismo da planta embriônica que a contém, é também um predador.
Os predadores precisam de mobilidade, sentidos e habilidade para manipular a presa. Por exemplo, a estrutura dos dentes reflete a natureza da dieta - isto é, o trabalho que eles devem realizar para segurar e processar os itens de alimentação. Os herbívoros, especialmente aqueles que se alimentam de gramíneas, possuem dentes com grandes superfícies de mastigação para quebrar materiais vegetais fibrosos e resistentes. Os dentes dos predadores têm superfícies cortantes e pontiagudas e que imobilizam apresa na boca e a cortam em pedaços pequenos o bastante para serem engolidos. Diferenças aparentemente simples na dentição refletem diferenças ecológicas importantes. Os incisivos superiores e inferiores dos cavalos, por exemplo, são fortemente opostos de forma que eles possam cortar os caules fibrosos das gramíneas. Outros ungulados, tais como as vacas, os carneiros e os veados carecem de incisivos superiores, seus dente inferiores pressionam contra a mandíbula superior num certo ângulo de forma a agarrar e arrancar o material das plantas.
Muitos predadores utilizam suas patas anteriores para ajudar a dilacerar sua comida em pedaços pequenos. Entre os pássaros, por exemplo, os gaviões, as águias, as corujas e os papagaios usam as poderosas e afiadas garras de seus pés, assim como seus bicos em forma de gancho, para este propósito. Pássaros que mergulham comem constantemente grandes peixes, mas devem engoli-los inteiros porque suas patas posteriores são especializadas muito mais para nadar e mergulhar do que para agarrar e desmantelar presas. Algumas espécies de serpentes compensam sua falta de membros agarradores com mandíbulas extensíveis que as capacitam a engolir grandes presas inteiras.
A qualidade da dieta influencia as adaptações do sistema digestivo e excretor do predador, assim como as estruturas diretamente relacionadas com a procura de comida. As plantas contêm moléculas fibrosas e longas, tais como a celulose e a lignina, que formam estruturas de suporte nos caules e folhas.
Como esses componentes tornam as a vegetação mais difícil de digerir do que as dietas de alto conteúdo protéico dos carnívoros, o trato digestivo dos animais herbívoros é freqüentemente muito alongado. Além disso, muitos possuem em seus tratos digestivos ramais em forma de bolsas - o ceco dos coelhos, o rúmen dos bois - que, à maneira dos vasos de fermentação, contém bactérias e protozoários que auxiliam na digestão. Com um volume maior de intestinos, os herbívoros podem manter refeições no trato digestivo por mais tempo e digeri-las mais completamente. No entanto, os herbívoros devem carregar quantidades de comidas não digeridas em suas barrigas, adicionando peso e reduzindo sua mobilidade.
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