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1 de janeiro de 2008
1 hectare de manguezal preservado contém aproximadamente:
*46.000 caranguejos adultos (maiores que 5,5cm)
*830.000 caranguejos jovens em vários estágios
*35.000 siris de mangue
*18.000 guaiamuns
*850.000 ostras
*850.000 sururus
*1.000.000 de muçunins
*900.000 lambretas
*850.000 unhas-de-velho
Produção de biomassa por hectare/ano: 20 toneladas
Relatos feitos por naturalistas e entidades governamentais até metade deste século apresentavam-nos como áreas de pouca salubridade, sem utilidade para a agricultura, e fonte potencial de doenças transmitidas pelos insetos que as habitam. Assim, a atitude frente a esse ecossistema foi sempre a de drenar e aterrar para posterior utilização.
Entretanto, os manguezais sempre geraram recursos naturais primários para as populações locais, principalmente as de baixa renda. A exploração de vários desses recursos é, ainda hoje, a principal fonte de rendimentos para as populações pobres dos litorais dos trópicos. Tornaram-se também uma alternativa aceitável para os pecadores artesanais afastados de sua atividade tradicional pela rápida expansão das grandes companhias pesqueiras.
O produto do mangue mais largamente utilizado é a madeira, empregada na construção de habitações de famílias de baixa renda. Devido à sua rigidez e ao alto conteúdo de tanino (o que a protege da decomposição), é também muito utilizada na construção de pontes, ancoradouros, postes e dormentes. O alto teor de tanino possibilita ainda seu emprego na indústria de curtição de couros.
Outro uso importante da madeira do mangue é como fonte de combustível sob a forma de lenha e carvão, e recentemente em sido empregada na produção de álcool de madeira, com algum sucesso, em certos paises da Ásia. O carvão obtido dessas madeiras possui características de combustão similares às do carvão mineral, o que aumenta sua procura, causando infelizmente o desmatamento de áreas extensas. Isso ocorreu, por exemplo, nos mangues do recôncavo da baia de Guanabara, onde a madeira é vendida para pequenas indústrias locais, principalmente padarias e olarias da área periférica do Rio de Janeiro.
Nos mangues, mulheres e crianças de famílias de pescadores coletam mutuamente moluscos e crustáceos. Nas áreas sem grandes problemas de contaminação ambiental, as imensas populações desses animais, atingindo até dez mil indivíduos por metro quadrado no caso de algumas espécies de moluscos, além de reforçarem a dieta familiar com proteína animal representam uma fonte importante de rendimento adicional para as famílias.
Devido à sua localização fronteiriça entre ambientes, marinho, terrestre e dulcícola, e à estrutura arquitetônica de suas árvores, os manguezais funcionam como verdadeiros quebra-mares contra as intempéries oceânicas, protegendo tanto a região costeira quanto a bacia de drenagem adjacente contra a erosão. Esta característica é aproveitada em algumas regiões tropicais (como no equador e na florida) para proteção de hidrovias e de projetos de desenvolvimento e urbanização litorâneos. Da mesma forma, ao longo dos rios, os manguezais fornecem proteção contra enchentes às áreas ribeirinhas, diminuindo a força e preservando os campos agricultáveis adjacentes.
As populações dos paises tropicais tenderam a se concentrar, ao longo da história, às margens de rios e pelo litoral, tanto para facilitar o acesso ao interior como para assegurar o escoamento e a exportação de seus produtos.
A localização dos manguezais em áreas protegidas dos litorais, como estuários, baías e lagoas, coincide com áreas de maior interesse para as comunidades humanas, uma vez que são as mais proveitosas para a instalação de complexos industriais- portuários e para a expansão turístico-imobiliária. Esta infeliz coincidência tem levado, ao longo do tempo, à erradicação dos manguezais em grane parte dos litorais dos trópicos em todo o mundo.
No caso brasileiro, áreas de desenvolvimento histórico, como várias baías ao longo da costa brasileira - Todos os Santos, Guanabara, Santos e Paranaguá -, além de outras de desenvolvimento mais recente, como as de Sepetiba e de São Marcos, apresentavam como formação vegetal costeira dominante os manguezais. No entanto, em várias dessas regiões, esses ecossistemas se encontram seriamente ameaçados, ou em acelerado processo de desaparecimento.
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