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Modismo & Mídia

Artigo por Christiane Ramos Donato - terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

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O consumidor domina a situação, pois ele faz o mercado se movimentar
O consumidor domina a situação, pois ele faz o mercado se movimentar
Ao refletirmos sobre nossa realidade, veremos que o conteúdo de nossa mente é a única coisa da qual podemos ter certeza. Qualquer coisa em que acreditemos está baseada em nossas experiências e pensamentos, sentimentos e impressões sensoriais e somente chega a nós através deles. Assim, poderíamos concluir que a realidade será definida como aquilo que podemos observar, ou seja, as demais coisas que estão longe do alcance dos nossos olhos, não existiriam, atribuindo uma relação de que existência está intrinsecamente ligada a observalidade.

E o que isto tudo tem a ver com os modismos existente na mídia? A questão é que o que foi anteriormente citado é manipulado muitas vezes pelas forças dominantes da sociedade que se utilizam desses de forma equivocada para validarem atos quer sejam de ordem econômica, social ou mesmo educacionais. Não importa o meio de comunicação, onde quer que seja a moda está presente. Os modismos são criações de divulgação em massa de ideais a serem consumidos.

Como os ideais não são palpáveis vendem-se produtos que possuem conceitos referentes àquilo que é objeto do nosso mais alto desígnio. E na mídia, atualmente, prevalecem dois grandes ideais, o do sentimento e o do verde. Ambos vendidos por inúmeras empresas que destacam a sua função como essenciais e de cunho assistencial, quando na realidade a meta de todas elas é intrinsecamente o lucro proveniente da comercialização de seus produtos.

O modismo sentimental

Presentemente, os produtos não são mais expostos como tais, mas sim como detentores de capacidades próprias de exprimir sentimentos. E isso é consequência da mudança de mentalidade dos próprios consumidores, os quais não querem comprar mais meros produtos mercadológicos, mas sim sentimentos, emoções sempre positivas e mesmo avassaladoras.

Não se compra mais um refrigerante para matar a sede, mas sim para abrir caminho para a felicidade. Não se procura mais um sabonete para diminuir a gordura presente na pele e proporcionar um odor agradável, mas sim um que revitalize e transmita energia para quem o use. E os exemplos não param por aí, vemos perfumes que conquistam outros com seu mistério, complementos alimentares que deixam a vida mais alegre e muito mais.

E nessa corrida por melhorias de estado de espírito, pelo glamour, pelo poder e pela sedução milhões de consumidores debruçam-se desesperadamente pelas prateleiras de lojas e supermercados, para consumirem mais e mais ideais e emoções que faltam em seus cotidianos. Estaria a mídia manipulando os consumidores através de suas propagandas de efeito psicológico? Ou será que os consumidores são conscientes que suas aspirações de vida ultrapassam os verdadeiros parâmetros para se mascararem em itens compráveis?

A realidade é que o efeito é de via dupla, onde o consumidor domina a situação, pois ele faz o mercado se movimentar, ao mesmo tempo em que se deixa dominar pelo efeito de seus anseios pessoais. O modismo verde É crescente a problemática do meio ambiente, sejam as mudanças climáticas, o problema do lixo carregado pelas correntes marítimas, a extinção de várias espécies e mesmo o surgimento de novos tipos de doença.

E é real a necessidade de tomada de novas atitudes para diminuir esses problemas ou para, pelo menos, não aumentar. Mais recentemente surgiu o modismo verde, no qual é legal preservar e o consumidor realiza essa ação ao utilizar material reciclado, consumir apenas madeira de reflorestamento, entre outros inúmeros exemplos no campo do vestuário, da habitação, dos automóveis e mais.

O difícil é solucionar problemáticas por modismo. O modismo verde indica ao consumidor que os melhores itens de consumo são os que não agridem o ambiente. E muitos aderiram à moda, não por consciência ecológica, por saber da importância de tentar retomar a homeostase do planeta, mas sim pelo efeito das propagandas de produtos que melhorarão o meio ambiente. A linha tênue de preocupação desse modismo está em a população buscar empresas que forneçam produtos sustentáveis, o que em compensação, dá o poder ao comprador de adquirir mais, pois não agride a natureza.

Como resultado pode ocorrer o desperdício. Além se sabermos da existência de inúmeras empresas inescrupulosas que dizem ter o selo verde, quando na realidade buscam apenas a conquista do público para aumentar suas vendas e respectivo lucro.

A mídia e os modistas


Produtoras, emissoras de rádio e televisão, redações de revistas e jornais e sites da internet conseguem se sustentar através das propagandas que são veiculadas em meio ao conteúdo informativo. São as propagandas, muitas destas modistas, como já dito anteriormente, que dão a capacidade do meio de comunicação sobreviver enquanto é produzido por profissionais não voluntários.

É bom esclarecer que o problema não é fazer propagandas, mas sim revesti-las de sonhos e sensações que aflorem a necessidade de consumo de uma população não crítica e muitas vezes desconhecedora dessa situação. Enquanto a população, seja brasileira ou mundial, continuar perseguindo a ilusão de que com produtos materiais obterá seu bem estar e felicidade pessoal; que se a empresa se diz sustentável poderá ter seus produtos mais consumidos, mesmo que gere desperdício, os mercadores e suas respectivas mercadorias serão negociados, vendidos e comprados.

Para tanto é necessário uma mudança de consciência que deve advir da sociedade, esta que hoje é de consumo. E para que isso ocorra a educação tem papel fundamental na formação de cidadãos mais críticos e conscientes, capazes de escolher de forma racional quais serão suas atitudes em frente ao sistema de publicidade, à mídia e ao modismo.
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Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.

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colunista

Christiane Ramos Donato

Atualmente é estudante de doutorado em Desenvolvimento e meio Ambiente - PRODEMA/UFS e faz parte dos grupos de pesquisa Seminalis-CNPq/UFS e BIOSE-CNPq/UFS. É mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente (2011) e licenciada em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Sergipe (2008). Tem experiência na área de Ecologia, com ênfase em Ecologia de Ecossistemas, atuando principalmente nos seguintes temas: Conservação da Natureza, Bioespeleologia, Cavernas, Avaliação de Dinâmica Ambiental e Planejamento e Gestão Ambiental.