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Desenvolvendo Competências

Artigo por Colunista Portal - Educação - terça-feira, 1 de janeiro de 2008

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*Rosângela Borges Martins


Muito se tem falado sobre competências, na escola, nos ambientes de trabalho, na mídia. O conceito de competência também tem sido questionado por alguns autores que o relacionam com o modelo de qualificação que privilegia a especialização.

...O silêncio e a fragmentação das tarefas saem de cena para dar espaço à comunicação e à interatividade, onde o savoir-faire e o ambiente subjetivo do indivíduo entram em cena. Aspectos antes desconsiderados, tais como os componentes cognitivos e os componentes sócio-afetivos passam a ser valorizados na formação e no exercício do trabalhador. Novos conhecimentos e habilidades são exigidos, visto que a otimização das atividades utiliza novas formas de organização do processo produtivo e novas tecnologias. (SIMIONATO, Margareth F.- Desmistificando Competências, paper,  out/2003)

  No entanto, a mudança do paradigma educacional baseado em um modelo pedagógico de dependência onde o currículo é visto como um fim, que tem por meta o acúmulo de saberes, que  utiliza metodologias transmissivas e tem  foco  centrado no ensino,  tem sido preocupação da escola.

  Assim, o desenvolvimento de competências (conhecimentos, habilidades e atitudes) tem sido o caminho apontado por muitos, para a mudança deste paradigma.

Convém aqui apontarmos alguns conceitos de competência:

“Qualidades de quem é capaz de apreciar e resolver certos assuntos.” (Dicionário Aurélio)

Na escola, “faculdade de mobilizar um conjunto de recursos cognitivos (saberes, capacidades, informações, etc) para solucionar com pertinência e eficácia uma série de situações. Estão ligadas a contextos culturais, profissionais e condições sociais.” (Philippe Perrenoud)

Modalidades estruturais da inteligência, ou melhor, ações e operações que utilizamos para estabelecer relações com e entre objetos. situações, fenômenos e pessoas que desejamos conhecer. as habilidades decorrem das competências adquiridas e referem-se ao plano imediato do “saber fazer”. através das ações e operações as habilidades aperfeiçoam-se e articulam-se, possibilitando nova organização das competências. (Documento do ENEM, p. 8)

Conjunto de conhecimentos, qualidades, capacidades e aptidões que habilitam para a discussão, a consulta, a decisão de tudo o que concerne a um ofício, supondo conhecimentos teóricos fundamentados, acompanhados das qualidades e da capacidade que permitem executar as decisões sugeridas. (TANGUY,L. 1997)

“A pedagogia da competência assume duas dimensões: uma psicológica, em que a noção de competência é apropriada sob a ótica das teorias psicológicas da aprendizagem; outra sócio-econômica, pela qual essa noção adquire um  significado no âmbito das relações sociais de produção.” (RAMOS,M.2001)

COMPETÊNCIAS PROFISSIONAIS, “capacidade de mobilizar, articular e colocarem ação valores, conhecimentos e habilidades necessários para o desempenho eficiente e eficaz de atividades requeridas pela natureza do trabalho. (DCN EDUCAÇÃO PROFISSIONAL DE NÍVEL TÉCNICO)- (Parecer CNE-CEB 16/99 e Resolução CNE-CEB nº 04/99)

Cabe aqui , a diferenciação entre eficiência e eficácia. A eficiência está relacionada ao processo enquanto a eficácia está relacionada ao resultado. Exemplo: Aulas consideradas boas são eficientes mas, só serão eficazes se produzirem aprendizagem.


Então, o que significa ser competente?

Aquele que julga, avalia e pondera; acha a solução e decide, depois de examinar e discutir determinada situação,de forma conveniente e adequada. A competência exige o saber, o saber fazer e o ser/conviver. (conhecimentos, habilidades e atitudes).

Trabalhar enfocando as competências significa mudança no foco do ensino. Ao invés da memorização de conteúdos, o aluno irá exercitar suas habilidades, que o levarão à aquisição de novas competências. (Nota 10: Jornal Mensal sobre Educação - Ano I nº 4 agosto/99)

Enquanto aprendentes, interiorizamos aquilo que  de alguma forma está ligado ao conteúdo por um desafio, necessidade ou motivação.

Exemplificando: Quando aprendemos a andar de bicicleta, consideramos o “andar”, um desafio. Esta aprendizagem acontece a partir da mobilização de recursos cognitivos para a resolução do problema ou objetivo da aprendizagem.

  A competência é uma construção mental e não a mera resolução de tarefas. Quem sabe fazer deve saber porque está fazendo desta maneira e não de outra.

Moretto (1999) aponta cinco competências:

  • domínio de linguagens;
  • compreensão de fenômenos;
  • construção de argumentações;
  • soluções de problemas;
  • elaboração de propostas.

Buscando um novo paradigma educacional, centrado na aprendizagem e não no ensino, teremos o professor como mediador entre o conhecimento acumulado e o interesse e a necessidade do aluno . E o currículo, entendido como o conjunto integrado e articulado de situações organizadas de modo a promover aprendizagens significativas.

Para desenvolver competências é preciso, antes de tudo, trabalhar por resolução de problemas e por projetos, propor tarefas complexas e desafios que incitem os alunos a mobilizar seus conhecimentos, habilidades e valores.

Metodologias

Novas metodologias serão necessárias para o desenvolvimento de competências na escola. Para Fernando Hernandez, (1998) os projetos de trabalho aparecem como um veículo para melhorar o ensino e como distintivo de uma escola que opta pela atualização de seus conteúdos e pela adequação às necessidades dos alunos e dos setores da sociedade aos quais,  cada instituição se vincula.

Atualmente, as escolas têm definido  como objetivo de seu projeto pedagógico a formação do cidadão crítico, criativo, capaz de estabelecer relações e fazer julgamentos; há de ser atuante, responsável e comprometido com o que faz; deve ser bem informado, capaz de se perceber no grupo e atuar no sentido de seu fortalecimento e de sua coesão.

O trabalho com projetos oportuniza ao aluno:

participar da definição dos temas; fortalecer a sua autonomia, o comprometimento e a responsabilidade compartilhada; confrontar idéias, experiências e resultados de pesquisa produzir conhecimentos significativos e funcionais; valorizar diferentes habilidades e potencialidades; apreender e interpretar conceitos, utilizando o conteúdo próprio de diferentes disciplinas; ter uma visão global da realidade.

Etapas do projeto

Problematização:
É nesta fase que o professor detecta o que os alunos já sabem, e o que ainda não sabem sobre o tema em questão. É a partir das hipóteses levantadas nesta etapa que o projeto é organizado pelo grupo.

Desenvolvimento:
Momento em que são elaboradas estratégias para buscar respostas às questões hipóteses formuladas na etapa de problematização.

Síntese:
Os alunos superam suas convicções iniciais, substituindo-as por outras, de maior complexidade e de maior fundamentação teórica e prática, construindo novas aprendizagens.

Avaliação:
Deve acontecer entremeada com as demais etapas e ainda ao final de toda tarefa; pretende-se, com a avaliação, melhorar o processo, aprimorando todos os envolvidos: o processo educativo não pode ter compromisso com avaliações que selecionem os melhores dos menos capazes.

Proposta de passos para a realização de um projeto de trabalho

  • Tema ou problema
  • Projeto de pesquisa
  • Questões ou hipóteses
  • Fontes de informação
  • Critérios de ordenação e de interpretação das fontes
  • Relações com outros problemas
  • Avaliação
  • Conexão com novo tema ou problema

Um projeto de trabalho não pode ser considerado apenas como um método de ensino, mas como uma postura que reflete uma concepção do conhecimento como produção coletiva, onde a experiência vivida e a produção cultural sistematizada se entrelaçam, dando significado a aprendizagens construídas.

Importância dos registros sobre os fatos e questões discutidos durante todo o encaminhamento do projeto.

Os alunos aprendem a ser flexíveis e a compreender a realidade sociocultural e o mundo do trabalho que os cerca. Estabelecem relações entre o passado e o presente; entre os significados atribuídos a determinadas práticas culturais, científicas e laborais; e entre as diferentes versões dos fatos e fenômenos que estudam.

Na montagem de projetos em torno de situações concretas de trabalho, são valorizadas as diversas contribuições prestadas por cada disciplina, o que traz a necessidade de que os docentes das disciplinas compreendidas em cada módulo de ensino realizem um planejamento integrado.

É importante considerar que os projetos encerram uma concepção que prioriza a aquisição de estratégias cognitivas de nível superior, bem como o papel do aluno como responsável por sua própria aprendizagem.

Os projetos contribuem para o desenvolvimento das capacidades que são exigidas dos profissionais da atualidade, compondo o quadro de atributos genéricos incorporados no modelo de competências.

Essas capacidades incluem: Iniciativa; criatividade; diagnóstico de situações; integração: tomada de decisões; comunicação interpessoal.

Juan Pozo (1998) tem defendido uma metodologia centrada na solução de problemas. Para ele, ensinar a resolver problemas não consiste somente em dotar os alunos de habilidades e estratégias eficazes, mas também em criar neles o hábito e a atitude de enfrentar a aprendizagem como um problema para o qual deve ser encontrada uma resposta.

A aprendizagem através da solução de problemas somente se transformará em autônoma e espontânea se transportada para o âmbito do cotidiano, se for gerada no aluno a atitude de procurar respostas para suas próprias perguntas/problemas, se ele se habituar a questionar-se ao invés de receber somente respostas já elaboradas por outros, seja pelo livro-texto, pelo professor ou pela mídia.

Avaliação

No momento em que a escola decide trabalhar no intuito de desenvolver competências, fazem-se necessárias novas metodologias, mas também um redimensionamento na compreensão de avaliação. A avaliação é inerente ao ser humano. Sempre que temos que decidir, fazemos escolhas.

Quando estamos avaliando estamos estabelecendo critérios de escolha, juízos de valor.  Sempre tomamos posição partindo de um ponto de vista.

O objetivo do ensino de qualquer disciplina deve ultrapassar a mera memorização de informações, porque o êxito não esta na reprodução, mas na capacidade de construir soluções próprias a novos problemas.

Ao escolher instrumentos de avaliação o professor deve saber qual a habilidade requerida:

                1) Conhecimento (evocação de informações)

                2) Compreensão (entendimento)

                3) Aplicação (usar abstrações)

                4) Análise (desdobrar o conhecimento)

                5) Síntese (combinar novos elementos)

                6) Avaliação (julgamento de valor do material

 
Em todos os momentos o professor expressa, de forma explícita e implícita a concepção que ele tem sobre a educação. Se ensinar é “transmitir” conhecimento, na avaliação a transmissão será cobrada.

Porém, se  acredita que ensinar é propiciar condições para que o indivíduo desenvolva suas potencialidades, a avaliação também buscará  aspectos que devem ser aprofundados.

Para avaliar corretamente, exige-se clareza na definição do perfil de aluno que queremos formar. É necessário identificar as competências, para atuação e intervenção intencionais no processo educativo.

Ao compor as competências específicas de cada disciplina é preciso que professores identifiquem as ações e os componentes (conhecimentos, habilidades e atitudes) assim como os indicadores que permitirão avaliar tal competência.

A superação da fragmentação da prática da escola só se tornará possível se ela se tornar o lugar de um projeto educacional, entendido como um conjunto articulado de propostas e planos de ação fundados numa intencionalidade. E, fundamentalmente:

“vencer uma série de preconceitos e resistências. Por um lado vencer as representações deterministas de que alguns alunos são mais capazes que outros e aceitar que nem tudo está definido na vida. É preciso acreditar que os alunos podem dominar os mínimos necessários desde que lhe sejam dadas condições adequadas de aprendizagem.” PERRENOUD,P, 2000


Bibliografia

HERNANDEZ, Fernando. A organização do currículo por projetos de trabalho. Porto Alegre:Artmed, 1998

MACHADO, Nilson José. Sobre a idéia de competência. In: PERRENOUD, Philippe (org). As competências para ensinar no século XXI. Porto Alegre: Artmed. 2002.

PERRENOUD, Philippe. Construir as competências desde a escola. Porto Alegre:Artmed, 1999.

POZO, Juan Ignacio. A solução de problemas.  Porto Alegre: Artmed, 1998.

RAMOS, Marise. A pedagogia das competências: autonomia ou adaptação? São Paulo: Cortez, 2001

ROPÉ, Françoise; TANGUY, Lucie. Saberes e competências: o uso de tais noções na escola e na empresa. São Paulo: Papirus, 1997

SIMIONATO, Margareth F.; Desmistificando Competências. paper,  out/2003


 

*Rosângela Borges Martins é Mestre em Educação,
professora na Faculdade São Judas Tadeu,
no Centro Universitário Feevale e na Secretaria de Educação/RS
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