A criança e a Formação de Leitores

12/10/2012 22:26:00


Resumo
No início da vida escolar além do processo de alfabetização que é muito importante e preocupante, temos a preocupação com a formação leitora dessas crianças, pois após a contemplação das primeiras ações, como podemos e deveremos seguir para fazer dessa criança um leitor?

Esse desafio é instigador, muitas vezes solitário entre escola, professor e aluno e assim, como poderemos agir incentivando e mediando essas crianças?

Neste artigo abordaremos possíveis erros, meios, incentivos e ações que possam clarear as práticas de leitura existente na escola, sala de aula e em casa.

Introdução
A leitura tem o poder de despertar em nós regiões que estavam até então adormecidas. Tal como o belo príncipe do conto de fadas... (PETIT, 2009, p. 7).

Este trabalho tem como objetivo, buscar soluções para formação de novos leitores autônomos e que através da mediação e incentivo, despertem-se a esse mundo do conhecimento da linguagem escrita.

Inicialmente é interessante esclarecemos e entendermos o que é leitura e Solé (1998, p. 10.) destaca, muito bem, assim, “... é um processo de interação entre o leitor e o texto; neste processo tenta-se satisfazer [obter uma informação pertinente para] os objetivos que guiam sua leitura”, logo percebemos que para esse processo realmente acontecer tem que haver a identificação e a assimilação como o que foi lido e esse ato deve estigá-lo a querer mais, assim propiciando o momento de descoberta, contato e reconhecimento desse mundo tão vasto que é o da leitura.

É muito comum, após o processo de alfabetização os professores e familiares esquecerem de que o mesmo continua, e não cobram, tampouco, incentivam essa criança a ler e expor-se a esse mundo novo.

Na sociedade em que vivemos, a leitura está em tudo, porém, a mesma não é consistente, é uma leitura mecânica, é uma leitura de mundo sem criticidade, não agrega conhecimento de uma nova linguagem e não desperta a curiosidade intelectual, pois não existe uma mediação e orientação adequada sobre o uso dessa linguagem e a leitura da palavra, segue-nos mesmo moldes.

E como devemos incentivar as crianças a lerem?

Primeiramente, sendo um professor leitor, pesquisador, mediador e incentivador, demonstrando através da prática o que é ler, encantando pelas palavras os nossos alunos.
Muitos de nós, professores, só sabemos criticar a juventude por não ler, não tem criticidade tampouco praticar adequadamente a sua cidadania, porém nem ensinamos, nem os incentivamos e muito menos lemos.

A função do professor nesse intermédio é muito importante, pois, o mesmo deve transmitir e articular todo seu conhecimento, sendo o intelectual, saber que a leitura o insere em novos meios e traz novos conhecimentos sobre tudo e, além disso, toda criança tem capacidade de se tornar leitora de textos diversos desde que seja mediada e incentivada adequadamente.

Ao iniciarmos esse processo, temos que propiciar contato constante com as diversidades textuais é muito importante para uma formação completa e plena de leitores e para torná-los autônomos, devemos incentivar e mostrar meios que possibilitem as buscas independentes.

Dessa forma, a mediação e o incentivo são os principais meios para a tentativa de torna as crianças leitores autônomos.

1. Leitura No Brasil: Política De Incentivo
O domínio da leitura (...) pressupõe o aumento do domínio da linguagem oral, da consciência metalingüística (isto é, da capacidade de manipular e refletir intencionalmente sobre a linguagem...) e repercute diretamente nos processos cognitivos envolvidos nas tarefas que enfrentamos... (SOLÉ,1998, p.10,).

Dos anos 90 para cá, a preocupação com a formação de leitores nas escolas vem aumentando expressivamente, devido também a expectativa de se elevar o índice da Educação Básica no Brasil e seguido a isso, a leitura vem ganhando um destaque maior para sua melhora.

Contudo, alguns indicadores mostram que nossa população vem preocupando-se em melhorar esse aspecto não só no período de escolarização, mas também fora dele, desmistificando assim, algumas idéias pré - concebidas sobre os leitores e não-leitores brasileiros.

Pelo viés político, muitas ações vem sendo feitas para oferecer leitura à população, como por exemplo, ambientes de leitura, bibliotecas e bibliotecas itinerantes, porém, ainda falta preparo e formação para mediadores que poderiam se encarregar desse ato.

O Ministério da Educação e Cultura (MEC) ao longo dos anos vem instalando uma política de formação de leitores dentro das escolas públicas, que iniciou-se em meados dos anos 80 com a implantação de programas de leituras dentro das escolas, mas assistemática e restritamente a escolas com determinadas faixas de matrícula, definidas previamente a cada ano de atendimento.

Devido a essa instabilidade escolar, em 1997, foi instituído um novo programa de incentivo à leitura o PNBE - Programa Nacional da Biblioteca Escolar - que vem substituir os programas anteriores e traz uma nova política e distribuição de livros para todas as escolas.

Mas, foi a partir do ano 2000, que instalou-se de fato a distribuição de livros para toda Educação Básica e inclusive aos alunos e colocando nas biblioteca, materiais diversificados e disponibilizando aos alunos e funcionários da escola toda essa multiplicidade leitora.

Contudo, esse investimento foi em curto prazo e percebemos que existiu e existe de fato, uma movimentação leitora nas escolas, mas isso não pode parar por ai, devemos através dessa, propiciar o seu uso e tornar este espaço um local vivo e rico de conhecimento.
Ainda assim, nós brasileiros carregamos conosco, a marca de não sermos um povo leitor e, segundo pesquisas estamos em penúltimo lugar no ranking dos países leitores, mesmo com essa rotulação, vemos que muito vem fazendo-se para que esse quadro seja revertido e que através da cultura leitora sejamos também reconhecidos.

Em um volume organizado pelo MEC intitulado “Política de formação de leitores”, há uma menção que destaca uma pesquisa: “Retrato de leitura no Brasil” de 2000, que por iniciativa de entidades do livro e de fabricantes de papel, que tentou definir o consumo de livros medindo sua penetração e dificuldades de acesso.

Essa pesquisa feita por amostragem revela-nos que o incentivo e a escolaridade refletem e muito no hábito e na formação de leitores, logo derrubando o mito de os brasileiros não gostam de ler, pois o que acontece é que a mobilização e acessibilidade escolar refletem na formação leitora da população.

Muitas vezes esse é um leitor quase heróico, que consegue de alguma forma – em igrejas, por empréstimos de amigos, por meio da escola ou das poucas e precárias bibliotecas existentes -, superar os obstáculos, que lhe são impostos e chega até o livro, contra quase todas as possibilidades. (MAUES, 2000,p.50)

Esses leitores de alguma maneira acreditam que ler traz novas possibilidades, percepções e emoções, em meio a tanta dificuldade ainda sim, conseguem incorporar e ver a importância desse ato em sua vida.
Dessa maneira, com todos os empecilhos sociais e culturais que impõe conceitos de como é ser um leitor, ainda sim, temos desbravadores que quebram todos esses conceitos e mostra-nos novas possibilidades de leitura.

2. A Leitura Em Casa
O aprimoramento da leitura é essencial para a formação de um aluno, o professor e todas as outras pessoas que convivem com essa criança estão diretamente envolvidas nesse processo, assim, devendo participar e agir para a sua concretização com entusiasmo e criticidade.

E, é na primeira infância que forma-se o hábito de leitura e os participantes primordiais desse processo de incentivo são os pais e isso é muito importante, pois: “(...) As crianças cujos pais lêem com regularidade parecem demonstrar maior interesse e curiosidade pela leitura.”(VIEIRA,1989, p. 10).

Assim, através dos pais ou outras pessoas que convivam e que tenham o costume ler, estimulam consequentemente, essas crianças, mas não só o ato de ver o outro lendo que a incentivará, mas: “(...) ideia corrente de ouvir historias lidas por adultos, manusear livros, brincar de ler são alguns fatores que estimulam e despertam, na criança, o prazer pela leitura.” (VIEIRA,1989, p. 10).

Visto que, nessa primeira infância o hábito incorporado no dia-a-dia é muito importante e a participação dos pais ou dos responsáveis dessas crianças e de extrema importância e necessidade, pois é nela que formam-se hábitos duradouros.
3. A Leitura E A Escola
Desvincular as funções de leitura da situação escolar é uma ação bem complicada, porque hoje em dia muitas responsabilidades que são dos pais ou responsáveis dessas crianças são direcionadas à escola, como toda orientação cidadã, orientação da sexualidade, enfim e, além disso, temos todo o movimento da aprendizagem e a leitura não fica para trás, ela também acabam ligando a uma rotina escolar, direcionando assim essa responsabilidade de fazermos a criançada ler.

A criança que toma contato com o livro pela primeira vez quando entra na escola costuma a associar a leitura com situação escolar, principalmente se não há leitura no seu meio familiar. Se o trabalho escolar é difícil e pouco recompensador, a criança pode adquirir aversão pela leitura e abandoná-la completamente quando deixar a escola. É conveniente então que o livro entre para a vida da criança antes da idade escolar e passe a fazer parte de seus brinquedos e atividades cotidianas. (Barker e Escarpit, 1975, p.122).

Contudo, temos que realizar o nosso papel de formadores e mediadores, temos que levar em consideração, que muitos só tem contato com o universo da literatura na escola, logo, temos essa relação, de remeter leitura à um ato escolar.

Porém, para muitos esse primeiro contato leitor na escola, tem feito com que peguem aversão e não querem de jeito algum incorporar isso a sua rotina ou realidade, pois veem a escola como um lugar chato e não apropriado para ele.

... se cabe à escola a tarefa de alfabetizar, despertar e estimular o gosto pela leitura, não é menos verdade que lhe cabe, também, a tarefa de transformar seus alunos em leitores críticos, auxiliando o desenvolvimento de espíritos atuantes, capazes de mudar, de algum modo, a sociedade em que vivemos. (Vieira, 1989, p.12).

Do mesmo modo que atribuem tarefas à escola que não a pertence, vemos que muitas vezes também não consegue cumprir com seu papel de desenvolver o hábito da leitura e tampouco, torná-la uma leitora crítica.

Um dos múltiplos desafios a ser enfrentado pela escola é o de fazer com que os alunos aprendam a ler corretamente. Isto é lógico, pois a aquisição da leitura é imprescindível para agir com autonomia nas sociedades letradas, e ela provoca uma desvantagem profunda nas pessoas que não conseguiram realizar essa aprendizagem. (SOLÉ,1998, p12.)

Hoje em dia, em meio a tanta tecnologia e facilidades, deparamo-nos com crianças e adolescentes que não conseguiram ver sentido e tampouco, ter vontade de inserir-se à sociedade letrada, muitos ainda pensam que esse mundo é somente pertencentes aos intelectuais.
Além disso, percebe-se que todos tem a dificuldade de agir com autonomia a todo tempo e que o encantamento deles, por tudo, é instantâneo e momentâneo, eles estão vivendo um imediatismo, com isso, tudo passa a não ter tanto valor e não traz satisfação.

A mediação feita pelo professor é de extrema importância e necessidade, pois:
(...) a criança, na convivência com a leitura, constrói sua história de leitura nos aspectos significativos, atraentes e estéticos da linguagem; razão por que o ato de ler pode ultrapassar a simples aquisição e domínio de um código escrito. (MAIA, 2007, p. 53)

Portanto, essa construção é constituída a partir da prática que envolve incentivo e formação contínua do professor.

4. Parceiros Da Leitura: Ações De Leitura
Sabemos que muitos fatores atrapalham a chegada das crianças até os livros, proporei algumas ações pontuais que poderão ser desenvolvidas em casa e na escola, para proporcionar essa formação de leitores.

• RODAS DE LEITURAS

Essa ação é muito praticadas em escolas ou espaços quais tem um número razoável de participantes e consiste em um momento em que reunem-se em círculo/ roda e lemos trechos de textos pré-selecionados, livro caso a roda seja permanente ou coletâneas que podem ser possibilidades para desenvolver essa prática.

• CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS

Contar uma história, não é a mesma coisa que lê-la, nesta ação envolve sentimentos, expressões dramatização, trazendo o espectador/ouvinte para dentro da sua contação, esse momento oferecer ao ouvinte e leitor uma no va percepção da leitura, ele interioriza isso de uma nova maneira e tendo como incentivo, ler ou até mesmo contar a história para alguém.

• BIBLIOTECAS/ ESPAÇOS DE LEITURAS

Hoje em dia nos centros urbanos temos a existência de bibliotecas abertas integral à população e para as pessoas distantes desses centros agora existem espaços, cujo tentam e oferecem ao público um grande repertório de leitura, além disso, minimizam as distâncias entre o livro e o leitor e cada vez mais vem adquirindo adeptos e cada vez mais jovens.

5. Considerações Finais
Nos dias atuais, a leitura não é vista mais como um hobby e, mas sim, como um meio de inserção na nossa sociedade – letrada – e cada vez mais vem-se aumentando a valorização dessa ação no dia a dia de todos.

Acredito que uma união entre escola, pais e incentivos governamentais, possa melhorar e aprimorar, buscando sempre, uma excelência, nas ações voltadas à prática da leitura na rotina dessas crianças, proporcionando assim, a inserção nessa sociedade, que mesmo com tanto avanços tecnológicos, ainda existem uma exaltação ao livro físico ou de papel.

6. Referências Bibliográficas

BERENBLUM, Andréa. Por uma política de formação de leitores. Brasília: Ministério da Educação, 2009.

MAIA, Joseane. Literatura na formação de leitores e professores. São Paulo: Paulinas, 2007.

MAUÉS, Flamarion. A exclusão da leitura. In: Revista Teoria e Debate . São Paulo: Fundação Perseu Abrano, n. 50, fev./mar./abr.2002.

PETIT, Michele. Os jovens e a leitura: Uma nova perspectiva. SãoPaulo: Ed. 34, 2008.

SOLÉ, Isabel. Estratégias de Leitura. Porto Alegre: Artmed, 1998.

VIEIRA, Alice. O Prazer do texto: perspectivas para o ensino de literatura. São Paulo: E.P.U., 1989.


Autor: Gabriele Monteiro da Costa Batista






Fonte: Portal Educação - Cursos Online : Mais de 1000 cursos online com certificado


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