Promovendo a qualidade de vida na terceira idade: Relato de experiência

10/10/2012 23:37:00


PROMOVENDO A QUALIDADE DE VIDA NA TERCEIRA IDADE, ACRESENTANDO VIDA AOS ANOS E NÃO SOMENTE ANOS A VIDA: RELATO DE EXPERIÊNCIA

Antônia Marília Praxedes¹
Eva da Silva Paiva¹
Melissa Dias Holanda¹
Palmyra Sayonara Góis²

¹ Discente do 6º período de Enfermagem – UERN/CAMEAM.
² Professora Mestre do Curso de Enfermagem – CAMEAM/UERN.


Resumo

A educação em saúde tem o intuito de modificar os problemas das comunidades através da troca de informações entre os profissionais e os usuários, pois devido a esse vínculo, soluções são traçadas e implementadas. O presente estudo relata uma experiência de educação popular em saúde vivenciada por acadêmicos do curso de enfermagem em uma Unidade Básica de Saúde com o grupo de idosos local, enfatizando a importância de se promover a qualidade de vida na terceira idade, elencando instrumentos e meios para um envelhecimento saudável.

Trata-se de um relato de experiência de caráter descritivo, e para efetivação da ação realizada foi empregado o método participativo e dialogado, com a utilização de técnicas de ensino diferenciadas e lúdicas. Onde foi possível oferecer uma atividade educativa dinâmica que resultou em uma construção mútua de saberes, atentando para a grande relevância de se manter a qualidade de vida na terceira idade, respeitando seus limites e possibilidades.

Introdução

A Educação em Saúde é um processo de transformação que desenvolve a consciência crítica das pessoas a respeito de seus problemas de saúde, bem como estimula a busca de soluções coletivas para resolvê-los. Assim, a prática educativa é entendida como parte integrante da própria ação de saúde e, como tal, deve ser dinamizada em consonância com este conjunto, de modo integrado, em todos os níveis do sistema, em todas as fases do processo de organização e desenvolvimento dos serviços de saúde. (STHEFANINI, 2004).

Essa atividade em saúde acontece através de uma combinação de oportunidades que favorecem a manutenção da saúde e a sua promoção. Dessa maneira, ela possibilita uma aproximação com a realidade vivenciada pela população, para que assim possa existir uma reflexão acerca dos contextos sociais, como a adoção de práticas educativas que busquem a autonomia dos sujeitos na condução de sua vida, ou seja, educação em saúde nada mais é que o pleno exercício de construção da cidadania. (PERREIRA, 2003).
Dentro dessa prática está à educação popular em saúde, que é utilizada como uma ferramenta de promoção a saúde a partir da participação da comunidade. Bem como, ela se configura como um instrumento auxiliar na implementação de novas práticas por profissionais e serviços de saúde, uma vez que valoriza o saber do outro e entende que o conhecimento é um processo de construção coletiva.

A educação popular como processo e relações pedagógicas emergentes de cenários e vivências de aprendizagens que articulam as subjetividades coletivas e as relações de interação que acontecem nos movimentos sociais, implicando na aproximação entre agentes formais de saúde e população (BRASIL, 2007).

Assim, é no espaço da Unidade Básica de Saúde, onde a educação em saúde ocorre de maneira mais desenvolvida e resolutiva. No conjunto das suas particularidades, principalmente a efetivação do Programa Saúde da Família (PSF), configura-se como um ambiente favorável à educação popular. O que não significa dizer, necessariamente, que nos outros níveis de atenção a saúde não é possível realizar atividades educativas, pois é de fundamental importância romper as barreiras atuando em todos os níveis de atenção a saúde (ALBUQUERQUE E STOTZ, 2004).

A partir do exposto, no Componente Curricular de Estágio Supervisionado I realizamos uma captação da realidade na UBS Ver. J. Q. S., no dia 03 de setembro de 2012 a fim de compreendermos melhor a realidade vivenciada nesse espaço. A mesma nos proporcionou uma aproximação maior com os seus profissionais e o serviço de saúde, onde conhecemos a sua organização e observamos a infraestrutura da instituição.

Tendo como objetivo compreender as barreiras para a concretização da integralidade na assistência ao usuário, conversamos com os profissionais presentes na unidade, com o intuito de identificarmos pontos passíveis de intervenção e traçarmos propostas a serem, posteriormente implementadas.

A partir disso, percebemos a necessidade de se trabalhar uma educação em saúde voltada para os idosos da UBS, sem restrições de grupos específicos. Uma prática direcionada ao envelhecimento saudável, enfocando temáticas como a alimentação balanceada, a prática de exercícios físicos, o uso de medicamentos, a realização de tratamentos, evidenciando principalmente a prevenção de agravos a saúde e a promoção a saúde dos usuários da terceira idade.

Entendendo que o envelhecimento é o resultado dinâmico de um processo global de uma vida durante a qual o indivíduo se modifica incessantemente. Assim, cada pessoa desenvolve o próprio processo de envelhecimento rompendo com estereotipo de que todo idoso é igual (FRAIMAM, 1995). Entretanto as alterações ocorridas nos campos biológicos, psíquico e social, acontecem ao longo da vida, de forma individualidade e particular.

Após os 60 anos de idade o corpo humano experimenta diversas alterações, transformações anatômicas e fisiológicas que ocorrem naturalmente com o idoso nessa fase de sua vida. Porém, a velhice muitas vezes é confundida com doença, devido os conceitos estipulados pela sociedade, como a dependência e limitações físicas e psicológicas (CALDAS, 2002). Assim, esse trabalho justifica-se pela necessidade de se garantir condições que propiciem o envelhecimento com dignidade, como o conhecimento do mesmo e de seus familiares sobre a terceira idade, uma assistência a saúde de qualidade e integral, uma comunidade com noções sobre o envelhecimento, dentre outros.

Portanto, o objetivo de estudo nesse artigo é relatar a experiência das acadêmicas em se desenvolver uma metodologia participativa sobre o envelhecimento saudável com os idosos. Bem como, expor as sensações das autoras na condução dessa atividade de educação em saúde com o grupo relatado, as facilidades e dificuldades de realizá-la.

Nessa educação em saúde enfatizamos a importância de sentir-se não apenas um ser humano na sociedade, mas alguém que pode contribuir de forma significativa para o meio em que vive, pois na terceira idade a qualidade de vida permanece, sendo até mais evidenciada do que em outras faixas etárias. Tendo em vista a maturidade e experiência de vida que os idosos possuem de seu processo de construção social e afetivo.
Metodologia

O artigo trata de um relato de experiência de forma descritiva, vivida por um grupo de acadêmicos de enfermagem na elaboração de atividades de educação em saúde pela disciplina de Estágio Curricular I, proposta pela Universidade.

A proposta trabalhada ocorreu de forma interativa e participativa, onde todos exerciam o papel de educando e educador, contribuindo como verdadeiros sujeitos, onde estimulavam a fala e o dialogo, sendo para Stotz (2007) um traço fundamental da Educação popular em Saúde. Tomando como ponto de partida do processo pedagógico, ou seja, o saber anterior das classes populares. Na saúde, isso significa considerar as experiências das pessoas (sobre o seu sofrimento) e dos movimentos sociais e organizações populares (em sua luta pela saúde) nas comunidades de moradia, de trabalho, de gênero, de raça e etnia.

Para a realização das atividades foi utilizado o espaço cedido pela Maçonaria do bairro, através das práticas de Estágio Supervisionado I. Considerando que a atividade a ser realizada tinha como temática a qualidade de vida na terceira idade, o grupo cogitado para a realização foram os idosos de ambos os sexos, numa faixa etária entre 50 – 95 anos residentes naquele bairro.
Houve uma amostra representativa do grupo onde participaram de 25 a 30 idosos que sentiram curiosidade e a necessidade de conhecer a referida educação em saúde e suas abordagens.

O encontro foi iniciado através de uma dinâmica de apresentação, conhecida como: “dinâmica do espelho", onde é colocado um espelho em uma caixa de presente, não sendo revelado a ninguém o conteúdo desta caixa. Ao explicar a dinâmica o facilitador anuncia que dentro da caixa existe "o que há de mais importante neste mundo" e que somos responsáveis em cuidar disto. Cada idoso abre a caixa descobrindo o seu conteúdo e o facilitador trabalhava questões ligadas à autoestima, indagando cada participante, proporcionando assim, momentos de troca de experiências.
Em seguida foi apresentado um painel contendo imagens e palavras representativas para o idoso, onde foram discutidas questões como: amor, saúde, paz, felicidade, melhor idade. Com o intuito de abrir um diálogo de conhecimentos entre os idosos e os acadêmicos, proporcionando troca de saberes entre os dois grupos.

Logo após, foi realizado um momento de descontração que consiste em uma estratégia de construção de vínculo para diminuir as barreiras que pudessem provocar algum tipo de entrave na realização da atividade. Neste momento duas acadêmicas iniciaram através da leitura de um cordel uma disputa entre o idoso de antigamente e o idoso na atualidade. Essa leitura levantou questionamentos como a concentração, imaginação, corpo, movimento, doenças, medidas preventivas para uma melhor qualidade de vida. Fazendo um momento de riso e reflexão a cerca do que se pensa em relação às limitações e as possibilidades que apresenta uma pessoa na terceira idade.

Logo após para trabalhar o conceito de saúde, qualidade de vida e outras questões envolvidas, sem tornar cansativo foi utilizada uma cartola que continha perguntas como: O que é saúde para você? Como podemos cuidar da saúde? O que é preciso para se ter saúde? O que pode prejudicar a saúde?

A cartola passava por cada idoso no ritmo da musica que em círculo, passava-os de mão em mão até que a música parasse. Neste momento quem estivesse com a cartola retirava uma pergunta e o facilitador lia a pergunta direcionando ao idoso, que respondia e recebia ajuda dos colegas para responder; da brincadeira conseguiu-se trabalhar assuntos importantes, de maneira descontraída e que fazem parte do cotidiano: família, atividade física, doenças, morte.
Isso preparou cada idoso para iniciar as atividades que exigiriam um esforço físico maior.

Continuando a reunião, trabalhou-se mais ativamente o corpo através de uma ginástica de alongamento facilitada por um dos acadêmicos que tem formação superior em Educação Física, que conduziu de forma satisfatória as ações com os idosos, respeitando os limites e as possibilidades individuais de cada participante.

Esse momento teve como objetivo exercitar os músculos, a circulação, dentre outros sistemas, estimular o corpo e a mente dessas pessoas, proporcionando a realização de movimentos simples e necessários para revigorar as articulações e membros no geral, bem como desperta-los para exercitar o raciocínio e coordenação motora.

Finalizando o encontro, realizou-se uma avaliação, através da qual cada idoso emitiu sua opinião a respeito da reunião, podendo apontar os pontos positivos e negativos. Incentivou-se a formação e a continuação de encontros semanais para discussão de temas propostos. Ao final foi oferecido um lanche de confraternização, com música, onde cada idoso pode aproveitar o final da tarde.
Resultados

Trabalhar educação em saúde com os idosos é gratificante e prazeroso, pois se percebe, mais que em qualquer faixa etária, que eles estão abertos a receber com alegria e interesse as propostas de intervenções sugeridas. A formação de vínculo de confiança é mais eficaz e efetiva, pois sempre há um gesto, um carinho, uma palavra que traduz toda essência de vida muitas vezes marcada por encontros e desencontros. (JARDIM, et al, 2004)

Diante disso, conseguimos realizar os objetivos propostos pela atividade, obtendo sucesso, devido a resposta que o nosso grupo obteve quanto aos conhecimentos construídos sobre a qualidade de vida na terceira idade, a idealização do perfil do idoso, a realização da prática de exercícios, dentre tantos outras informações estabelecidos.

Embora com limitações e particularidades, houve a participação de todos os idosos, onde conseguimos mostrar ao grupo da terceira idade que eles também têm a capacidade de se locomover, dançar, brincar, dialogar, e transmitir seus conhecimentos para outras pessoas e, principalmente para faixas etárias mais jovens. Ficou nítido o contentamento dos mesmos após cada atividade realizada.

A atividade proporcionou um dialogo aberto cheio de emoções e histórias de vida, induzindo assim uma troca mútua de experiências e ensinamentos, tanto entre os idosos presentes quanto entre, os idosos com os acadêmicos de enfermagem. Durante toda a atividade o dialogo foi surgindo espontaneamente, não havendo nenhuma dificuldade com a relação de troca de informações entre os participantes.

Realizamos com os idosos alguns momentos de descontração, os quais os fizeram refletir sobre o seu valor como pessoa e na comunidade, elevando sua autoestima, e valorização pessoal, dinâmica do espelho. Devido a isso, nós estudantes nos sentimos úteis, com um sentimento de dever cumprido, do cumprimento de um papel importante na sociedade, os idosos se sentiram realizados, nos sentindo satisfeitos mais ainda.

A prática de educação em saúde gerou a formação de vínculos entre os acadêmicos e os idosos, onde o diálogo fluiu naturalmente através da exposição de fotos no cartaz. O que acarretou um companheirismo recíproco, e através disso os mesmos perceberam mudanças possíveis que gerem qualidade em suas vidas e de suas comunidades. Segundo Jardim (et al, 2004), o conhecimento que é construído junto aos idosos é absorvido e introduzido no cotidiano e muitos se tornam agentes multiplicadores na comunidade em que vive.
Por meio da troca de informações, da dinâmica da cartola, nós percebemos que somos privilegiados por estarmos realizando uma atividade de educação em saúde com pessoas que possuem uma gama de saberes grandiosos. Podemos visualizar como ainda somos imaturos e pequenos diante de pessoas com tantos conhecimentos e vivências, que nem mesmo podemos idealizar quantos e quais são.

Quando trabalhado o corpo e a mente no momento da ginástica foi gratificante observar as expressões de alegria, euforia, dedicação e ate mesmo o medo e a superação dos idosos. Segundo Veras (1997), “o principal objetivo das medidas preventivas na terceira idade não é reduzir as taxas de mortalidade, mas melhorar a saúde e a qualidade de vida dos idosos, de modo que eles tenham suas atividades menos afetadas por doenças crônicas”.
Sendo assim, o que foi de suma importância para o sucesso da atividade educativa foi à troca de experiências, a qual aconteceu principalmente através da valorização dos saberes adquiridos pelos idosos ao longo de sua história de vida. Utilizando-os como ferramentas para a construção do conhecimento, promovendo mudanças nos estilos de vida de acordo com a realidade.

A partir dela, nós estudantes podemos promover mudanças positivas, na busca de uma melhor condição de saúde, pois nunca é tarde para trabalhar novas questões como prevenção e promoção da saúde, o que não se pode e não se deve fazer é subestimar o conhecimento que o idoso possui e construir tudo novo sem um referencial disto no cotidiano.

Através da prática de educação em saúde com os idosos, conseguimos construir um momento único e dinâmico, onde a troca de informações proporcionou conhecimentos para ambos os participantes dessa ação. O que resultou em um contentamento geral, percebemos isso durante toda a prática, mas principalmente na avaliação desta atividade em saúde.

Nesta etapa perguntamos as opiniões dos idosos acerca do momento vivenciado, os pontos positivos e as sugestões de mudança, e os mesmos referiram ser a melhor educação em saúde de suas vidas. Relataram que foi a prática que houve de tudo, diálogo, brincadeiras, falaram, ouviram, praticaram exercício, lancharam, conversaram com os conhecidos e conheceram pessoas novas, as quais trouxeram uma inovação para esse grupo da terceira idade.

Após a realização da atividade todos os acadêmicos sentiram-se honrados por ter cumprido com o seu papel de futuro enfermeiro, de pessoa útil para a comunidade e felizes pela sensação de dever cumprido. Gratificante ainda foi perceber a expressão de felicidade, alegria e realização dos idosos por terem participado de um encontro onde o foco principal era a pessoa idosa e não as patologias que ora os acometem. Essa expressão se evidenciou quando os idosos sugeriram que o encontro pudesse ser realizado semanalmente, haja a vista ter sido um momento onde eles puderam se expressar de varias formas e foram ainda levados a perceber que a juventude não é uma fase da vida, mas sim, um estado de espírito.

Com relação à Unidade de Saúde, foi observado que eles estão abertos para novas práticas de educação em saúde e que a presença dos acadêmicos é sempre bem vinda e apoiada em todas as ações que porventura necessitem ou desejem desenvolver sejam elas na sede da UBS ou em qualquer estabelecimento do bairro que tenha um maior suporte físico para atender as implementações dessa atividade tão importante.

Destarte, a realização da atividade com os idosos proporcionou um aprendizado imensurável, deixando-nos satisfeitos desenvoltura, participação e entrosamento dos idosos nas atividades que foram realizadas. O que corrobora com o pensamento de Freire (1987) quando afirma que a educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo. Portanto para que os estigmas e preconceitos a cerca da qualidade de vida na terceira idade sejam rompidos, os primeiros a transformarem seus pensamentos devem ser os próprios idosos.

A educação para a saúde com o idoso deve ir além de um encontro, deve-se incentivar a busca de novas alternativas, trabalhando corpo, mente e estilos de vida, buscando em conjunto o que é melhor para ele como ser humano inserido em uma sociedade. Segundo Py (1996), "o encontro com idosos é um caminho, processo e produto da criação de um lugar privilegiado para profissionais e idosos se articularem na confrontação do saber informal". Lições

Educar em saúde é uma das funções mais satisfatórias no trabalho da enfermagem, uma vez que por seu intermédio as pessoas, sujeito de sua aprendizagem, podem ser motivadas a transformarem suas vidas positivamente.

E embasados por esse sentimento de mudança fomos tomados por uma satisfação até então jamais sentida em todo o período vivenciado no curso e em nossas vidas acadêmicas, as atividades realizadas puderam proporcionar um conhecimento coletivo, uma troca de experiências que resultou efetivamente em uma construção mútua de saberes.

Essa prática pode tocar-nos de uma maneira inigualável, ajudando a perceber que a promoção da qualidade de vida está em ações cotidianas, corriqueiras que passam despercebidas pelos nossos olhos e que nos foram ensinadas de maneira majestosa pelos mestres da vida, o grupo de idosos ali presente.

Não se pode deixar de mencionar os fatores que contribuíram para que essa ação educativa ocorresse com sucesso. A parceria entre a universidade e o serviço de saúde, através da articulação ensino-trabalho, a colaboração do serviço ao mostrar-nos as temáticas de maior necessidade a ser abordada, a participação na divulgação e no comprometimento para que a tarefa acontecesse, enfatizando a importância e a relevância de se trabalhar com o grupo de idosos. Bem como a importância de todos os aspectos que contribuíram para o planejamento da ação. A captação da realidade na Unidade de Saúde, onde foi possível conhecer algumas particularidades do grupo que seria trabalhado, e sua atuação dentro das atividades realizadas pelo serviço de saúde local.

E ainda a construção do conhecimento do que é a educação popular em saúde, que foi obtida no âmbito acadêmico e que subsidiou todo o processo de construção do saber entre teoria e pratica, fundamentando o processo ensinar aprender no exercício da enfermagem.

O grupo escolhido foi de grande valia, se mostrando presentes e receptivos com nós acadêmicos e com os conhecimentos que ali estavam sendo transmitidos, dispostos a realizar assiduamente todas as tarefas por nós propostas, além de ter tornado a ação educativa um momento prazeroso e construtivo. Um momento impar em nossas vidas, onde afirmamos com convicção que aprendemos mais até do que ensinamos, estabelecendo uma relação horizontal.

Assim como a nossa participação efetiva na construção dessa proposta que teve caráter inovador e dinâmico, visando romper com paradigmas ainda vigentes em nossa sociedade sobre o que é a terceira idade e principalmente quais as ações que podem ser realizadas por esse grupo. Não esquecendo de mencionar a importância nas atividades de educação em saúde de uma equipe multidisciplinar como foi o nosso caso, a presença de um educador físico pode enriquecer e dar um potencial maior ainda em nosso momento educativo.

Como também nos deparamos com algumas dificuldades para realização dessa ação, o espaço físico da unidade que dificultava uma educação em saúde com muitas pessoas. Havia a necessidade de um espaço amplo e que pudesse acolher com mais conforto os idosos participantes, para que se tornasse além de proveitosa, agradável a ação voltada para eles.
Além disso, o clima da cidade não permitiu que a ação fosse realizada cedo, assim, a atividade ocorreu no final da tarde, o que minimizou o tempo de sua realização.

Entendendo que realizar educação popular não é fácil, pois depende de vários elementos como conhecimento do profissional/equipe/usuário, local onde será realizada a atividade, horário da educação em saúde, disponibilidade do serviço/profissional/usuário. Outra dificuldade evidente durante essa prática é a realização do diálogo, da troca de conhecimentos, principalmente iniciar e construir o mesmo, pois este depende do profissional e do indivíduo.
Recomendações

Este trabalho busca não estagnar, mas poder estender suas atividades a outras localidades, Unidades de Saúde e por que não, outras cidades. Para que se possa propagar todo aprendizado adquirido de forma tão gratificante.

Indica-se que o mesmo seja trabalhado por outros acadêmicos e profissionais de saúde em outras equipes da saúde da família, a fim de romper com estigmas que circundam a terceira idade. Propõe-se ainda a possibilidade de criação de um Projeto de Extensão voltado para a Terceira Idade, a fim de direcionar uma atenção especial ao grupo etário que mais cresce na atualidade. Almeja que esta proposta seja implementada em grupos de idosos, hiperdia, associações, sindicatos e todos os âmbitos em que se encontrarem pessoas na terceira idade. Salientando que as dinâmicas com certeza podem ser desenvolvidas com outros grupos.
Para que esta ação se intensifique cada vez mais, recomenda-se que haja mais parcerias, a inserção de mais profissionais além do educador físico, para que de fato a interdisciplinaridade aconteça.

As atividades em saúde, em especial no idoso requerem educadores, estes, segundo Freire (1987), tem função social de agente de transformação. Isto é de fundamental importância não somente para os profissionais Enfermeiros, mas também durante a vida acadêmica, uma vez que favorece e enriquece o aprendizado, a reflexão e a análise, desenvolvendo o senso crítico e proporcionado o surgimento de novas ideias de atuação na assistência aos idosos.


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Autor: Eva da Silva Paiva






Fonte: Portal Educação - Cursos Online : Mais de 1000 cursos online com certificado


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