Qualidade de vida na velhice

04/07/2012 15:01:00


 O prolongamento da vida é uma aspiração de qualquer sociedade. No entanto, esse processo só pode ser considerado como uma conquista real quando é agregada qualidade de vida nos anos adicionais de vida (VERAS, 2009).


A qualidade de vida desde o início da existência do ser humano tem sido uma constante preocupação e, hoje, constitui-se um compromisso pessoal na busca contínua de uma vida saudável, desenvolvida a partir de um bem-estar associado com as condições no modo de viver, como: saúde, educação, moradia, transporte, lazer, trabalho, liberdade, autoestima, entre outros (SANTOS et al., 2002).


O aumento da longevidade do ser humano acarreta uma situação de ambiguidade vivenciada por diversas pessoas, mesmo para aquelas ainda jovens: o desejo de viver cada vez mais e, ao mesmo tempo, o temor de viver em meio à dependência e incapacidades funcionais. Com o avanço da idade, as chances de ocorrência de doenças e prejuízos à funcionalidade física, social e psíquica são maiores (FREITAS et al., 2002).


Os aspectos referentes ao aumento da longevidade dos brasileiros devem ser acompanhados pela melhoria e manutenção da saúde e da qualidade de vida. O grande desafio de hoje é conseguir que os anos vividos a mais, não importando se muitos ou poucos sejam anos cheios de significados e que leve a uma vida respeitosa e digna, que valha a pena ser vivida.


Outro desafio que deve ser enfrentado é implementar a política do envelhecimento ativo, que é definido por Costa e Ciosak (2010, p. 438) como “processo de otimização das oportunidades de saúde, participação e segurança, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas ficam mais velhas”.


De acordo com Paschoal apud Freitas et al. (2002, p. 79) mais anos vividos podem ser anos de sofrimento para os indivíduos e suas famílias; anos marcados por doenças, com sequelas, declínio funcional, aumento da dependência, perda da autonomia, isolamento social e depressão. No entanto, se os indivíduos envelhecerem com autonomia e independência, com boa saúde física, desempenhando papeis sociais, permanecendo ativos e desfrutando de senso se significado pessoal, a qualidade de sua vida pode ser muito boa.


A definição de qualidade de vida é bastante subjetiva, pois, depende de diversos fatores, entre eles: o nível sociocultural, a faixa etária e as aspirações pessoais do indivíduo. Dessa forma, o termo qualidade de vida está bastante relacionado com a autoestima e o bem-estar pessoal do indivíduo, abrangendo diversos aspectos que vão desde a capacidade funcional, o estado emocional, o nível socioeconômico, a atividade intelectual, a interação social, o suporte familiar, o autocuidado, o próprio estado de saúde até os valores culturais, éticos e religiosos. Compreende também a satisfação com o emprego, o estilo de vida, as atividades diárias e o ambiente em que se vive (PAULA, ROQUE e ARAÚJO, 2008).


Com base nisso, a qualidade de vida boa ou excelente é aquela capaz de oferecer condições mínimas para que o indivíduo possa desenvolver suas potencialidades ao máximo possível, ou seja, vivendo, amando ou sendo amado, trabalhando, produzindo bens e serviços e etc.


Para Paskulin et al. (2010, p. 102) no campo da saúde, o conceito de qualidade de vida “emergiu a partir de um movimento de humanização na área e de valorização de outros parâmetros de avaliação, além dos sintomas ou dados epidemiológicos, como a incidência e prevalência das doenças”.

 

Diversos organismos internacionais, inclusive a Organização Mundial da Saúde (OMS), a partir dos anos 90 passaram a identificar na qualidade de vida um importante fator na avaliação de saúde de uma população, seja ela como fator social ou individual. Ela é influenciada principalmente pelo sexo, escolaridade, idade, condição econômica e presença de incapacidade.


Quando se investiga a qualidade de vida relacionada à saúde em toda sua multidimensionalidade, é possível identificar diversos aspectos que devem ser considerados no que se refere às peculiaridades e potencialidades de saúde e vida do idoso.



Dessa forma, para Pereira et al. (2006, p. 28) “avaliar as condições de vida e saúde do idoso permite a implementação de propostas de intervenção, tanto em programas geriátricos quanto em políticas sociais gerais, no intuito de promover o bem-estar dos que envelhecem”.


Corroboramos com Paula, Roque e Araújo (2008, p. 284) quando dizem que o uso das medidas de qualidade de vida é relevante na avaliação de saúde, tanto dentro da perspectiva social quanto individual, sobretudo nos quadros de doenças degenerativas, em que a mensuração da eficácia do tratamento se traduz na qualidade de vida aos anos vividos, diante da ausência de cura. Diante do envelhecimento populacional tanto dos países desenvolvidos quanto dos em desenvolvimento, o gerenciamento destas doenças torna-se aspecto relevante de saúde pública, não somente ao grande número de indivíduos acometidos como de cuidadores destes indivíduos, já que muitas destas doenças, ao prejudicarem a autonomia e/ou a dependência do portador da doença tornam necessária à figura de alguém responsável pelos seus cuidados.


Dessa forma, o aumento da longevidade dos idosos brasileiros traz diversos desafios no que se refere à atenção à saúde e nas condições que propiciam uma melhora na qualidade de vida desta população. Com isso, os profissionais de saúde, principalmente os da atenção primária, em conjunto com os familiares tornam-se pessoas-chave na implementação de medidas para promover uma maior autonomia à pessoa idosa, dentro de suas possibilidades funcionais e cognitivas, com a finalidade de dar maior independência ao idoso e proporcionar uma melhor qualidade de vida.


A qualidade de vida em idosos e sua avaliação sofrem os efeitos de numerosos fatores, entre eles os preconceitos dos profissionais e dos próprios idosos em relação à velhice. O dono da vida, no caso o idoso, deve ter participação ativa na avaliação do que é melhor e mais significativo para ele, pois o padrão de qualidade de cada vida é um fenômeno altamente pessoal. Esta é uma questão não apenas metodológica, mas também ética (FREITAS et al., 2002).


Portanto, outros imperativos éticos devem ser atendidos pelo profissional que cuida de idosos, entre eles o do direito à autonomia e à dignidade, o da legitimidade do uso de arsenal tecnológico e farmacêutico para a manutenção da vida de pacientes terminais e do direito a cuidados, suporte e informação em todos os casos de doença e incapacidade.



REFERÊNCIAS



VERAS, R. Envelhecimento populacional contemporâneo: demandas, desafios e inovações. Rev Saúde Pública, v. 42, n. 3, p. 548-54, 2009.



SANTOS, S. R. et al. Qualidade de vida do idoso na comunidade: aplicação da escala de Flanagan. Rev Latino-am Enfermagem, v. 10, n. 6, p. 757-64, nov./dez., 2002.



FREITAS, E. V. et al. Tratado de geriatria e gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabaro Koogan, 2002. 1186 p.



COSTA, M. F. B. N. A.; CIOSAK, S. I.. Atenção integral na saúde do idoso no Programa Saúde da Família: visão dos profissionais de saúde. Rev Esc Enferm USP, v. 44, n. 2, p. 437-44, 2010.



PAULA, J. A.; ROQUE, F. P.; ARAÚJO, F. S. Qualidade de vida em cuidadores de idosos portadores de demência de Alzheimer. J Bras Psiquiatr., v. 57, n. 4, p. 283-87, 2008.



PASKULIN, L. M. G. et al. Percepção de pessoas idosas sobre qualidade de vida. Acta Paul Enferm, v. 23, n. 1, p. 101-7, 2010.



PEREIRA, R. J. et al. Contribuição dos domínios físico, social, psicológico e ambiental para a qualidade de vida global de idosos. Rev Psiquiatr RS, v. 28, n. 1, p. 27-38, jan./abr., 2006.

Autor: Ricardo Saraiva Aguiar






Fonte: Portal Educação - Cursos Online : Mais de 1000 cursos online com certificado


Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.